Governo amplia nomeação de militares em cargos do Ministério da Saúde

NATÁLIA CANCIAN E TALITA FERNANDES
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 27.04.2020 - EDUARDO-PAZUELLO: Secretário Executivo da Saúde, Eduardo Pazuello, durante coletiva de imprensa para divulgação do boletim epidemiológico sobre os números do novo coronavírus (Covid-19), no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após a indicação do general Eduardo Pazuello para ocupar o posto de número 2 do Ministério da Saúde, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) vem ampliando a participação de militares na pasta.

Nesta quarta (6), o ministro Nelson Teich nomeou mais cinco nomes de origem militar para cargos de coordenação e direção no ministério.

Eles devem assumir funções na secretaria-executiva, sob comando de Pazuello. As nomeações foram publicadas em edição extra no Diário Oficial da União.

Entre os nomeados está Paulo Guilherme Ribeiro Fernandes, que é tenente-coronel do Exército e irá assumir o cargo de coordenador-geral de planejamento.

Também foram nomeados Reginaldo Ramos Machado, para diretor do departamento de gestão interfederativa e participativa, e Jorge Luiz Kormann, como diretor. Ambos têm histórico de formação militar.

Outros dois nomes são Marcelo Blanco da Costa, que é ligado ao Exército e deve assumir o cargo de assessor do Departamento de Logística em Saúde, área responsável por compras na pasta, e Emanuella Almeida Silva, que será coordenadora de pagamento de pessoal e contratos administrativos.

As nomeações ocorrem uma semana após Pazuello ser oficializado como secretário-executivo. Ex-coordenador da Operação Acolhida, de atendimento a imigrantes venezuelanos, o general teve seu nome indicado por outros ministros generais e teve o convite formalizado pro Bolsonaro para ocupar a função.

Na última quinta (30), o governo já havia publicado a nomeação do coronel do Exército Antonio Elcio Franco Filho como secretário-executivo adjunto de Pazuello.

O coronel foi secretário estadual de Saúde de Roraima entre abril e junho de 2019, na gestão de Antonio Denarium (PSL), um dos principais aliados de Bolsonaro. Ele tem graduação e mestrado em ciências militares.

Questionado sobre a nomeação de outros secretários na última semana, Teich disse que já tinha uma definição sobre a equipe, mas aguardava análise e chancela do governo sobre as indicações.

Até o momento, além de Pazuello, apenas mais um secretário já foi confirmado: o médico e biofísico Antônio Carlos Campos de Carvalho, que deve ocupar o secretário de ciência e tecnologia do Ministério da Saúde.

Professor titular da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ele já havia sido diretor do departamento de ciência e tecnologia da mesma secretaria entre 2013 e 2015.

Outros dois secretários devem ser mantidos nos cargos, segundo a reportagem apurou. Entre eles está a secretária de gestão em trabalho na saúde, Mayra Pinheiro, que confirma a permanência.

Embora tenha sido indicada ao cargo na gestão de Luiz Henrique Mandetta, Pinheiro era de um grupo mais afastado do ex-ministro.

Atual secretário especial de saúde indígena, o coronel da reserva do Exército Robson Santos da Silva também deve continuar na equipe. A reportagem não conseguiu contato com Silva.