Governo analisa colocar teto nos juros do consignado do Auxílio Brasil

Governo ainda espera passar o consignado do Auxílio Brasil antes das eleições
Governo ainda espera passar o consignado do Auxílio Brasil antes das eleições
  • Medida foi descrita como um "auxílio-banco" por especialistas;

  • Grandes bancos afirmaram não ter interesse na prática financeira predatória;

  • Juros estipulados pelos bancos participantes do consignado chegam a 100% ao ano.

Com um mês para as eleições, o governo federal ainda está tentando implementar o empréstimo consignado para os beneficiários do Auxílio Brasil. Para isso, a equipe econômica agora fala em limitar a taxa de juros cobrada pelas instituições financeiras para evitar o super endividamento das famílias.

A medida vem sofrendo fortes críticas por parte de diversos segmentos da sociedade civil, sendo vista como uma prática financeira predatória. Em uma pesquisa preliminar realizada pelo UOL, as instituições financeiras estavam trabalhando com juros três vezes maiores que os utilizados no consignado comum, atrelado ao pagamento dos servidores. Com isso, as taxas de juros chegavam a 100% ao ano.

Para Ione Amorim, economista e coordenadora do Programa de Serviços Financeiros do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o consignado no Auxílio Brasil se tornará um "auxílio-banco" ao fazer a retirada do dinheiro do programa social diretamente para os bolsos do banco.

Entre os grandes bancos brasileiros, apenas a Caixa Econômica Federal se mostrou disposta a ofertar o crédito. Como banco estatal, é esperado que ela realize a oferta por ordens do governo.

Já o Itaú, o Bradesco e o Santander, os três maiores bancos privados do Brasil, afirmaram que não desejam entrar no programa. O Banco do Brasil, por sua vez, ainda estuda seu envolvimento. De acordo com o Ministério da Cidadania, 17 bancos já se cadastraram para realizar os empréstimos

Ainda há outros problemas com a proposta, como o fato do Auxílio Brasil depender de fatores que podem variar com o passar do tempo, como a composição familiar ou frequência vacinal.

Para Paola Loureiro Carvalho, assistente social e diretora de Relações Institucionais da Rede Brasileira de Renda Básica, a aprovação do consignado ainda destoa do caráter do Auxílio Brasil, que visa combater a miséria.

"É consenso consolidado que do ponto de vista de política pública de combate à pobreza e aumento de bem-estar, o crédito em geral não deve ser prioridade", afirmou.