"Governo antecipou processo da minha sucessão", diz Rodrigo Maia

Ana Paula Ramos
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Presidente da Câmara dos Deputados, dep. Rodrigo Maia, concede entrevista coletiva sobre a atividade legislativa durante a crise causada pelo coronavírus
Presidente da Câmara dos Deputados, dep. Rodrigo Maia, concede entrevista coletiva sobre a atividade legislativa durante a crise causada pelo coronavírus (Foto: Agência Brasil)

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acusou o governo do presidente Jair Bolsonaro de antecipar a discussão sobre a eleição às Presidências do Senado e da Câmara. Ele também afirmou que nunca teve a intenção de disputar a reeleição do comando da Casa.

Na manhã desta segunda-feira (7), em entrevista ao programa Em Foco, da Globonews, ele disse que agora, após decisão do Supremo Tribunal Federal que barrou a reeleição dos atuais chefes do Legislativo, a Câmara vai poder voltar à votação de matérias importantes para o país, principalmente da pauta econômica.

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"Governo pode antecipou processo da minha sucessão, agora a Câmara pode voltar a questões prioritárias, como a PEC emergencial que deveria ter sido votada em dezembro de 2019, entre outras matérias que podem mudar os parâmetros da economia brasileira", disse.

"Queremos uma Câmara livre da interferência de outros Poderes no nosso trabalho", ressaltou.

Ao acusar o Palácio do Planalto de interferir no processo de eleição na Câmara, Maia disse que o objetivo, na verdade, é tirá-lo do comando da Casa.

"Candidatura do governo é contra Rodrigo Maia, infelizmente, apesar de tudo que aprovei e articulei".

“Acabaram as desculpas, não precisam mais me derrotar, vamos trabalhar para garantir equilíbrio fiscal para os próximos 24 meses", alfinetou.

Na avaliação do presidente da Câmara, essa oposição do Planalto ao nome dele é devido a uma “agenda” própria, como a volta do voto impresso.

"Os candidatos têm uma agenda econômica parecida, o problema não é esse, são outras pautas, como o voto impresso", acrescentou.

Para a sua sucessão, Maia afirmou que trabalha com um grupo de quatro a cinco possíveis candidatos, comprometidos com a agenda econômica liberal e com a independência da Câmara em relação a outros poderes.

“Nossa candidatura não é contra ninguém, é a favor da democracia, de uma Câmara livre, que não seja apêndice de outro poder".

O presidente da Câmara citou como nomes de prováveis candidatos os deputados Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Baleia Rossi (MDB-SP) e Marco Pereira (Republicanos-SP), mas disse que ainda não tem um "preferido”.

Segundo ele, a decisão do STF deu mais “energia” ao grupo, que já está se articulando em busca de votos.

Por 6 votos a 5, o STF barrou na noite de domingo (6) a possibilidade de reeleição do presidente da Câmara e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

ELEIÇÕES 2022

O presidente da Câmara comentou também sobre a formação de uma frente ampla de centro-direita e centro-esquerda para a eleição presidencial de 2022 e citou como nomes fortes o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o apresentador Luciano Huck (sem partido), Ciro Gomes (PDT), candidato a presidente em 2018, e Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco.

Ele avalia que essa aliança, caso concretizada, seria a “favorita” na disputa.

“Nosso desafio é conciliar a agenda econômica, mas essa frente de centro-direita e de centro-esquerda é a força favorita para processo eleitoral. Apesar da força do PT, a eleição de 2018 mostrou que precisam se reestruturar", analisou.