Governo aprova contratar térmicas para reforçar sistema elétrico também em 2022

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***ARQUIVO**CAPITÓLIO, MG, 09.02.2015: ENERGIA-HIDRELÉTRICA - Usina Hidrelétrica de Furnas em Capitólio (MG), que está com o lago abaixo do nível normal devido a seca. Se baixar mais dois metros, a usina deve parar seu funcionamento. (Foto: Apu Gomes/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1502121858056140
***ARQUIVO**CAPITÓLIO, MG, 09.02.2015: ENERGIA-HIDRELÉTRICA - Usina Hidrelétrica de Furnas em Capitólio (MG), que está com o lago abaixo do nível normal devido a seca. Se baixar mais dois metros, a usina deve parar seu funcionamento. (Foto: Apu Gomes/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1502121858056140

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Creg (Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética) aprovou nesta quinta-feira (9) a contratação de usinas térmicas para reforçar a recuperação dos reservatórios das hidrelétricas brasileiras entre 2022 e 2025.

Segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), a contratação se dará por "procedimento competitivo simplificado", conforme previsto na MP (medida provisória) que criou a câmara de gestão da crise. Isso significa que não devem seguir as regras de leilões de energia do governo.

O MME, porém, não informou como será esse procedimento e nem o volume das contratações. Especialistas do setor temem ainda mais pressão sobre as contas de luz, já que as usinas térmicas tendem a ser mais caras do que fontes renováveis.

"Já estamos pensando no atendimento para 2022", disse em entrevista ao programa "A voz do Brasil" o secretário de Energia Elétrica do MME, Christiano Vieira da Silva. "A perspectiva é que teremos ao final de novembro os reservatórios em níveis muito baixos e não podemos contar apenas com chuvas."

Nesta quarta (8), os reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, a caixa d'água do setor elétrico brasileiro, estavam com 19,59% de sua capacidade de armazenamento de energia. A perspectiva é que terminem setembro em 15,62%.

"Mantém-se o cenário de atenção, com projeção de poucas chuvas em montantes relevantes nos próximos meses", afirmou o MME, em comunicado sobre a reunião da Creg nesta quinta. A opção pela contratação de mais térmicas, diz, foi tomada após avaliação sobre o cenário para os próximos anos.

Atualmente, as usinas térmicas representam cerca de 30% da energia gerada no país. O elevado uso dessa fonte levou a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) a criar uma taxa de escassez hídrica sobre a conta de luz, com a cobrança de R$ 14,20 a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos.

Antes, o consumidor estava pagando R$ 9,49 por 100 kWh, valor equivalente à bandeira vermelha nível dois. A Aneel justificou a alta dizendo que o valor anterior não conseguia cobrir todos os custos das térmicas acionadas para enfrentar a crise hídrica.

Como a energia das novas contratações deverá ser entregue em 2022, terá que vir de usinas já prontas, mas ainda sem contrato. O governo já vem acionando algumas dessas usinas, como a William Arjona, a mais cara do país, com tarifa de R$ 2.443 por MWh (megawatt-hora).

Por isso, o temor do mercado com relação aos impactos na conta de luz provocados pela extensão da contratação de usinas disponíveis para além de 2021. A tarifa de energia tem sido um dos principais impulsionadores da escalada inflacionária no país.

Em nota divulgada na sexta (3), o MME disse que a contratação preventiva e antecipada dessas usinas ajudará a garantir os menores custos e "contribuirá com a garantia do atendimento e elevação estrutural dos níveis de armazenamento dos reservatórios das usinas hidrelétricas".

Na reunião desta quinta, a Creg decidiu também simplificar procedimentos de outorga para a contratação de térmicas ainda este ano e garantir condições para operação da térmica GNA 1, no norte do Rio de Janeiro, que tem capacidade de 1.338 MW.

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