Governo argentino ignora pedido da Procuradoria da Bolívia e não extraditará Evo

SYLVIA COLOMBO
CIDADE DO MÉXICO, MÉXICO, 28.11.2019 - O ex-presidente boliviano Evo Morales concede entrevista exclusiva à jornalista Mônica Bergamo no hotel Ibis, na região central da Cidade do México, no México. (Foto: Ginnette Riquelme/Folhapress)

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O governo da Argentina, comandado por Alberto Fernández, não extraditará o ex-presidente boliviano Evo Morales nem seus filhos, que hoje vivem com ele em endereço desconhecido em Buenos Aires.

Na quarta (18), a Procuradoria da Bolívia emitiu uma ordem que obriga Evo a prestar depoimento ao Ministério Público, após uma denúncia de seu suposto envolvimento com crimes de sedição e terrorismo. 

O ministro do Interior, Arturo Murillo, pediu ao Ministério Público que iniciasse uma investigação com base em um áudio no qual supostamente se escuta a voz de Evo dando instruções a um de seus partidários, o cocaleiro Faustino Yucra, para bloquear estradas e interromper o fornecimento de alimentos a algumas cidades -o objetivo seria desestabilizar o atual governo, de sua opositora Jeanine Añez. 

A Presidência recebeu a ordem de condução coercitiva, mas lembrou que o ex-líder boliviano tem status de refugiado na Argentina, condição que o exclui das regras do acordo de extradição estabelecido entre os dois países.

Segundo integrantes do governo, a segurança da casa onde o boliviano vive em Buenos Aires será reforçada, para que as reuniões de Evo com representantes de seu partido, o MAS (Movimento para o Socialismo), possam continuar sendo realizadas normalmente. 

A chancelaria argentina afirmou que não haverá uma resposta formal ao pedido do Ministério Público boliviano e que Evo tem "imunidade e proteção diplomática". 

Após renunciar, em 10 de novembro, pressionado pelas Forças Armadas e por manifestações nas ruas devido a suspeitas de fraudes nas eleições presidenciais que apontaram a conquista de um quarto mandato consecutivo, o boliviano foi para o México e, no último dia 12, chegou ao país sul-americano, onde obteve asilo político.

Em entrevista coletiva nesta semana, o ex-presidente boliviano disse que trabalha na candidatura de um membro de sua legenda para "disputar e vencer" o novo pleito, previsto para ocorrer no primeiro semestre de 2020. 

Evo não poderá concorrer: foi excluído da lei que convocou novas eleições, com base em um artigo da Constituição que proíbe a reeleição após dois mandatos.

Ao comentar o pedido de condução coercitiva, Evo afirmou que, "desde 1989, todos os presidentes até 2005 [quando foi eleito presidente] tentaram me processar por terrorismo, narcotráfico e assassinato". "Ganhei de todos."

Além de reuniões políticas e entrevistas, Evo tem participado de jogos de futebol com o ministro do Esporte argentino, Matías Lammens, e empresários bolivianos locais numa quadra no bairro de Colegiales.