Governo argentino quer "capturar" parte da "renda inesperada" obtida pelas grandes empresas com a guerra na Ucrânia

Enquanto o presidente Alberto Fernández afirma que lucro extraordinário deve ser usado para gerar igualdade e justiça social, os empresários advertem sobre as consequências nos investimentos e veem na iniciativa uma forma de o governo cumprir a meta com o FMI sem fazer um ajuste fiscal.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

O governo argentino anunciou o envio ao Congresso de um projeto-lei que cria o chamado "imposto sobre a renda inesperada" sobre as grandes empresas beneficiadas pelo aumento dos preços internacionais devido à guerra na Ucrânia, uma iniciativa rejeitada pelos principais empresários do país.

"Esta guerra nos submete a duas realidades: que milhões de seres humanos entrem em risco enquanto poucos ganham muitíssimo com os efeitos dessa guerra. Essa é a imoralidade que não podemos permitir. Estamos aqui para equilibrar aquilo que foi desequilibrado", disse na noite desta segunda-feira (6) o presidente Alberto Fernández, acompanhado pelo ministro da Economia, Martín Guzmán, na Casa Rosada.

O projeto-lei procura implementar uma alíquota de 15% sobre o lucro extraordinário das companhias. Essa nova alíquota soma-se ao vigente imposto de renda do ano em exercício de 2022.

As empresas atingidas serão aquelas que tiverem um lucro líquido superior a um bilhão de pesos argentinos (US$ 8,2 milhões). No ano passado, 3,2% das empresas do país superaram esse montante.

"A única forma de sustentar um crescimento que signifique progresso é se esse crescimento for partilhado entre todos", apontou Guzmán.


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