Governo Assad reitera apoio às forças curdas sírias

Soldados sírios festejam a visita de Assad aos arredores da província de Idlib, controlada por rebeldes

O presidente sírio, Bashar al-Assad, reafirmou seu apoio, nesta terça-feira (22), sem citar nomes, aos combatentes curdos no nordeste da Síria que tentam repelir uma ofensiva turca, dias após o início do destacamento de seu Exército naquela região.

"Estamos prontos para apoiar qualquer (...) resistência à agressão turca", afirmou Assad em uma visita inédita à região de Idleb, no noroeste do país, outra frente da guerra na Síria localizada perto da fronteira.

O apoio às Forças Democráticas Sírias (FDS), dominadas pelos curdos, "é um dever constitucional e nacional incontestável", acrescentou o presidente sírio, cujo país está mergulhado em uma guerra mortal com múltiplas ramificações desde 2011.

A operação turca lançada em 9 de outubro no nordeste da Síria contra as FDS - cuja milícia curda das Unidades de Proteção do Povo (YPG) é a espinha dorsal - foi suspensa até as 19h GMT (15h em Brasília) desta terça-feira, em razão de uma trégua negociada entre Washington e Ancara.

A Turquia rejeita qualquer projeto de autonomia curda em sua fronteira, temendo que um Estado curdo central galvanize as aspirações separatistas dessa comunidade que vive em seu território.

Sua ofensiva no norte da Síria visa a criar uma "zona de segurança" que impeça qualquer autonomia curda e torne possível repatriar parte dos 3,6 milhões de refugiados sírios estabelecidos na Turquia.

Damasco há muito critica a aliança entre os curdos e os Estados Unidos, engajados nos últimos anos na luta contra os jihadistas, chegando a descrever os curdos como "traidores".

A decisão do presidente americano, Donald Trump, de retirar suas tropas do norte do país, deixando o campo aberto para a Turquia, provocou, contudo, a aproximação entre o governo sírio e os curdos.

O Exército sírio foi mobilizado na semana passada para várias áreas do nordeste do país, incluindo as cidades de Minbej e Kobane, sob um acordo com as autoridades curdas.

Segundo Assad, a prioridade agora é "resistir a essa agressão", e não "culpar os outros".

Os laços entre Damasco e os curdos evoluíram ao ritmo do conflito sírio.

Inicialmente "neutros" frente ao regime e à rebelião contra Assad, os curdos emergiram como ponta de lança da luta contra o grupo Estado Islâmico (EI), com o apoio dos Estados Unidos.

Damasco, que também rejeita qualquer projeto de autonomia curda, ameaçou repetidamente os curdos com uma reconquista forçada de seus territórios.

Nesta terça, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou que ainda é cedo para saber se a trégua acordada com a Turquia será bem-sucedida.

"Certamente algum avanço se conseguiu", afirmou Pompeo, na Heritage Foundation, em Washington, algumas horas antes do prazo imposto para a retirada total das forças curdas.

Ele acrescentou, contudo, que "é uma história complicada, isso é certo.

"O êxito do resultado lá ainda não está completamente determinado", ressaltou Pompeo.