Governo federal assina contratos com Pfizer e Janssen para compra de vacinas

Renata Mariz
·3 minuto de leitura

BRASÍLIA — O governo federal anunciou, nesta sexta-feira, que fechou contratos para compra de vacinas da Pfizer e da Johnson/Janssen. Uma mensagem com chamada de "urgente" foi postada pelo ministro das Comunicações, Fabio Faria. O mesmo anúncio, no entanto, já havia sido feito pelo ministro da Saúde demitido, Eduardo Pazuello, na segunda-feira.

Na ocasião, ao apresentar à imprensa um balanço antes de a troca de comando da pasta ser confirmada pelo presidente Jair Bolsonaro, Pazuello assegurou que os contratos de 100 milhões de doses da vacina da Pfizer, de 38 milhões do imunizante da Johnson, e também de quantitativos da Sputnik V, já estavam finalizados. O general ainda está no cargo para fazer a transição a Marcelo Queiroga, que assumirá.

— Sim, eu estou informando à população que nós já concluímos a contratação da União Química da Sputnik, da Pfizer e da Janssen (Johnson). Todas essas contratações foram finalizadas a partir da lei que foi sancionada, se não me engano, quarta-feira da semana passada. Só para que os senhores compreendam a velocidade administrativa desse trabalho — afirmou o ministro na última segunda-feira, horas antes de ter a demissão confirmada.

— A partir da lei, sancionada na quarta-feira, hoje, segunda-feira, estou informando que já fizemos essas contratações completas, com tudo que foi solicitado em termos de cláusulas.

A declaração de Pazuello afirmando que já havia finalizado as assinaturas na segunda-feira era uma tentativa de ele sair "por cima", uma vez que um novo ministro seria indicado logo depois. No Planalto, a assinatura das vacinas era o "gran finale" que o ministro precisava para sair do cargo.

A lei mencionada por Pazuello foi aprovada pelo Congresso, estabelecendo que o governo pode assumir responsabilidades relacionadas a efeitos adversos, por exemplo, isentando as empresas. Pazuello deixa a pasta desgastado devido ao aumento no número de casos e mortes e a lentidão da campanha de imunização no país. Com a popularidade em baixa, devido à escalada de mortes pela Covid-19, Bolsonaro tentou sinalizar novos rumos para a condução da pandemia, mas mantém a posição contra medidas restritivas adotadas por gestores locais.

Na tarde desta sexta-feira, Fabio Faria tuitou a notícia das contratações: "#URGENTE. O governo Bolsonaro assinou contratos com as farmacêuticas Janssen e Pfizer que preveem, ao todo, a entrega de 138 milhões de doses da vacina. Desse total, 100 milhões de doses serão da Pfizer e 38 milhões serão da Janssen".

O GLOBO questionou o ministério, nesta sexta-feira, qual a data de assinatura dos contratos, mas a pasta se restringiu a dizer que "os contratos com as farmacêuticas Pfizer e Janssen foram concluídos e assinados".

Segundo a pasta, o cronograma negociado com a Pfizer prevê 100 milhões de doses: 13,5 milhões entregues entre abril e junho e outros 86,5 milhões de julho a setembro. O contrato com a Janssen prevê 38 milhões de doses: 16,9 milhões estão previstas para ser entregues de julho a setembro e 21,1 milhões de outubro a dezembro.