Governo boliviano convida opositor venezuelano à posse de Luis Arce

·2 minuto de leitura
O opositor venezuelano Juan Guaidó em foto de 23 de setembro de 2020, em Caracas
O opositor venezuelano Juan Guaidó em foto de 23 de setembro de 2020, em Caracas

O governo em fim de mandato na Bolívia convidou o líder opositor da Venezuela, Juan Guaidó, à posse do presidente boliviano eleito, Luis Arce, confirmou nesta sexta-feira (30) a chancelaria em La Paz. 

"Sua presença fortalecerá ainda mais os tradicionais laços de amizade, cooperação e solidariedade que existem entre a Venezuela e a Bolívia", diz a nota assinada pela chanceler, Karen Longaric. 

A carta está dirigida a Guaidó, considerado "presidente da República Bolivariana da Venezuela". 

Como presidente do Parlamento venezuelano - único poder na mão da oposição -, Guaidó reivindicou em janeiro de 2019 a presidência interina, depois que a Câmara declarou "usurpador" o presidente Nicolás Maduro, acusando-o de ter sido reeleito mediante fraude em maio de 2018. 

O governo em fim de mandato da Bolívia, chefiado pela presidente Jeanine Áñez (direita), reconhece Guaidó como presidente encarregado da Venezuela, assim como meia centena de países. 

A chancelaria boliviana confirmou, assim, que Maduro não será convidado à posse de Arce, afilhado político do ex-presidente Evo Morales (2006-2019). 

Maduro é um aliado próximo de Morales e o partido dele e de Arce, o Movimento ao Socialismo (MAS). 

O MAS expressou incômodo com o gesto do governo, apesar de ter se estabelecido uma comissão de transição para coordenar a organização e o protocolo dos atos de posse de Arce, em 8 de novembro. 

No domingo passado, Maduro informou que se encontrou com Morales durante uma rápida visita do ex-presidente boliviano a Caracas. 

As eleições bolivianas de outubro de 2019, nas quais Morales tentava um quarto mandato, foram anuladas por denúncias de fraude. Em meio a violentos distúrbios, Evo renunciou e exilou-se na Argentina. 

Então, Áñez assumiu a Presidência interina e em novembro rompeu relações com o governo Maduro, que tinham sido muito próximas durante os 14 anos em que Morales esteve no poder. 

A presidente denunciou a intromissão da Venezuela nos assuntos internos da Bolívia e também determinou a saída do bloco político-econômico Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), impulsionado pelo falecido presidente venezuelano, Hugo Chávez. 

A chancelaria boliviana espera enviar "150 convites a chefes de Estado" e líderes de organismos internacionais para a posse de Arce. Até agora, só confirmou presença o rei Felipe VI, da Espanha. 

jac/yo/mvv