Governo boliviano lança advertência contra estrangeiros "terroristas" e "subversivos"

Jeanine Áñez após ser proclamada presidente interina da Bolívia, em 12 de novembro de 2019

O governo boliviano está preparado para lutar contra grupos estrangeiros que tenham a intenção de desenvolver ações "terroristas" ou "subversivas" em seu território, alertou neste sábado o ministro da Defesa Luis Fernando López.

"Não permitiremos que nenhum estrangeiro armado mate nossos bolivianos. Há mais de 40 anos as Forças Armadas estão se preparando para a luta contra a subversão e o terrorismo", afirmou o ministro durante um evento oficial em Sanandita (sul).

Desde que foi instalado no poder, o governo de transição tem citado a presença de estrangeiros que teriam a missão de semear terror no país, apontando colombianos, peruanos, cubanos e venezuelanos como responsáveis por provocar confrontos entre opositores e simpatizantes do governo, e entre civis e forças de segurança, que em mais de um mês de incidentes deixaram 33 mortos.

A cerimônia em Sanandita também contou com a presença da presidente interina do país, Jeanine Áñez, que argumentou que "uma linha clara deve ser traçada entre o direito à dissidência e a conduta criminal, a agressão e atitudes antidemocráticas que buscam impor violentamente sua vontade àqueles que não pensam da mesma forma".

Está detido na cidade de Santa Cruz (leste) o argentino Facundo Molares Schoenfeld, identificado como ex-guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), sob acusação de promover confrontos nessa região.

Posteriormente, em declarações à imprensa, a presidente transitória enviou uma mensagem a Morales, refugiado na Argentina.

"O que pedimos (a Morales) é que deixe que vivamos em paz. Esperamos que ele não cause sedição e terrorismo de onde está, porque deve respeitar seu status de refugiado. Não permitiremos que os bolivianos roubem mais eleições", afirmou.

Ela também disse que Morales pode retornar à Bolívia "sempre que quiser", embora tenha esclarecido que "nos próximos dias será emitido um mandado de prisão porque fizemos as denúncias pertinentes", já que o ex-presidente "tem contas pendentes com a justiça".