Acuado, Bolsonaro transforma governo em trincheira para sobreviver

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BRASILIA, BRAZIL - MARCH 31: President of Brazil Jair Bolsonaro speaks to the press during a pronouncement on the new emergency aid amidst the coronavirus pandemic  (COVID-19) at the Planalto Palace, on March 31,2021 in Brasilia, Brazil. Brazil has over 12,658,000 confirmed positive cases of Coronavirus and has over 317,646 deaths. (Photo by Mateus Bononi/Getty Images)
O presidente Jair Bolsonaro durante pronunciamento no Palácio do Planalto, em março de 2021. Foto: Mateus Bononi (Getty Images)

Jair Bolsonaro está acuado.

Com uma CPI nos calcanhares, e prestes a ser oficializada, o presidente ficou em situação ainda mais delicada no fim de semana após a suspeita, levantada pelo site The Intercept Brasil, de que foi citado em conversas grampeadas pela Polícia Civil do Rio de comparsas do miliciano Adriano da Nóbrega.

Morto, em fevereiro de 2020, em uma troca de tiros com a polícia na Bahia, o criminoso é velho conhecido da família Bolsonaro. Empregava a mãe e a mulher no gabinete de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) em seus tempos de deputado estadual no Rio. Com o miliciano a polícia apreendeu 13 celulares, um manancial sobre suas andanças que só agora começa a ser revelado.

Em seu rastro, a polícia descobriu que Fabrício Queiroz elaborava com os familiares do miliciano um plano de fuga antes de ser encontrado no sítio do advogado da família do presidente em Atibaia (SP). Típico caso em que se puxa um pelo e sai uma boiada.

Os diálogos dos grampos telefônicos sugerem que Bolsonaro foi contatado por integrantes da rede de proteção de Nóbrega, um ex-capitão do Bope acusado de chefiar o Escritório do Crime. Ele ficou quase 400 dias foragidos, e no período chegou a desfrutar de uma rotina nababesca pelo litoral nordestino. Até que foi localizado.

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Em um dos grampos, um criminoso diz ter conversado com "o cara da casa de vidro". A polícia suspeita que esse "cara" tem nome e sobrenome.

Nos grandes veículos, o caso não ganhou ainda a atenção que merece. Em 2019, o mesmo The Intercept Brasil revelou conversas hackeadas de Sergio Moro com os procuradores da Lava Jato. Muita gente minimizou. Seguro de si, o então ministro da Justiça repercutiu a notícia dizendo que a montanha pariu um rato. Menos de dois anos depois, ele deixou o governo sob tiroteio e foi considerado suspeito no julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recuperou os direitos políticos.

Os impactos da suspeita de ligação com milicianos podem ser fatais sobre um governante já fragilizado. 

No fim de semana, o jornalista Rubens Valente, do UOL, revelou que a Casa Civil está promovendo uma espécie de curso intensivo, entre os demais ministérios, para saber o que responder a respeito de menos 23 acusações que certamente serão levantadas durante a CPI da Pandemia.

Quem faltou ao ensaio foi o publicitário Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência demitido em uma história confusa e que pode agora ser mais bem explicada —para os senadores, mas também as câmeras de televisão prontas para noticiar os melhores momentos dos depoimentos e acareações.

Como escreveu Elio Gaspari, no fim de semana, Jair Bolsonaro e seu pelotão estão convencidos de que há uma articulação para tirá-lo da cadeira. E que, quando este temor entra no palácio, o governo deixa de ter projeto.

É a história do cavalo desgovernado. Pouco importa para onde vai. A prioridade é se manter na sela.

Sob Bolsonaro, o projeto de governo é, até aqui, uma coletânea de platitudes e bate-cabeças. Tirando a ampliação do acesso a armas, aparentemente sob medida para grupos paramilitares, não se sabe pra onde vai nem por que veio. 

No caso da pandemia, o plano é movido a incompetência e ineficiência. Palavras do ex-secretário de comunicação do presidente.

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