Governo Bolsonaro corta orçamento do Ibama e ICMBio em 2021

Colaboradores Yahoo Notícias
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O governo de Jair Bolsonaro cortou os orçamentos do Ibama e do ICMBio em 2021, mesmo com o aumento do desmatamento e dos incêndios que têm atingido, principalmente, a Amazônia e o Pantanal.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o corte nas verbas do Ibama é de 4%, para R$ 1,65 bilhão. Do total, R$ 513 milhões ainda dependem de crédito extra a ser aprovado pelo Congresso, ou 31%. No ICMBio, a redução foi ainda maior: queda de 12,8%, para R$ 609,1 milhões, e R$ 260,2 milhões (43%) ainda sujeitos ao aval dos deputados e senadores.

A região registrou o segundo pior agosto em relação a queimadas e desmatamentos, apenas atrás do primeiro ano da gestão Bolsonaro.

Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que, em julho, foram desmatados pouco mais de 1,3 mil km² na Amazônia. De julho de 2019 a agosto deste ano, houve uma alta de 34% no desmatamento, na comparação com o mesmo período anterior. Em relação às queimadas, foram registrados no mês passado 29.307 focos de incêndio na Amazônia Legal.

Procurados pela publicação, o Ministério do Meio Ambiente, o Ibama e o ICMBio não responderam a pedidos de comentários sobre o impacto dos cortes orçamentários nas atividades dos órgãos.

O corte de recursos preocupa especialistas. O Ibama teria cerca de 400 fiscais, parte deles na faixa de 60 anos (grupo de risco da pandemia do novo coronavírus). Isso inviabiliza que participem de operações de campo.

“A fiscalização é custosa. A solução é fazer concurso. Com dois meses do orçamento para GLO (Garantia da Lei e da Ordem), haveria dinheiro para pagar um ano de salário de mil novos servidores, com férias, 13º salário e gratificação”, diz Suely Araújo, ex-presidente do órgão.

“A impressão que eu tenho é que vão matar o ICMBio para tentar enfiar o Ibama e o ICMBio na mesma autarquia. Algumas atribuições do instituto já foram transferidas para o ministério, que criou uma comissão para planejar concessões em unidades de conservação”, analisa.