Governo Bolsonaro desconfiava de contratos de vacinas da Pfizer e Johnson, mas apostava em spray nasal sem eficácia, mostram telegramas

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BRASÍLIA — Telegramas secretos do Itamaraty, em posse da CPI da Covid e obtidos pelo GLOBO, relatam que, em fevereiro deste ano, o governo brasileiro ainda resistia a assinar contrato para adquirir vacinas das farmacêuticas Pfizer e Johnson, que já tinham selado acordo com cerca de 70 países para fornecer bilhões de doses.

Classificado como "secreto" e com prioridade "urgente", um dos telegramas foi endereçado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) a 19 embaixadas brasileiras. O documento, enviado em 24 de fevereiro deste ano, solicitava que os diplomatas sediados em diferentes países fizessem uma "consulta informal às autoridades locais" sobre os termos dos contratos confidenciais assinados com a Pfizer e Janssen.

O documento ainda expõe os motivos que levaram o governo brasileiro a não assinar o contrato com laboratórios internacionais para garantir vacinas naquele momento.

Ao mesmo tempo em que relutava acerca da assinatura, em março, o então chanceler, Ernesto Araújo, foi a Israel conhecer um spray nasal que não tinha ainda eficácia comprovada no tratamento contra a Covid-19. Ele estava acompanhado do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que, assim como ele, foi demitido sob críticas até mesmo de aliados do Planalto. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também estava na comitiva. O encontro foi relatado em um telegrama do Itamaraty enviado em março deste ano.

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