Bolsonaro volta atrás e Macron não precisa mais pedir desculpas

Condição imposta por Bolsonaro para aceitar a ajuda financeira do G-7 não foi oficialmente confirmada pelo Porta-Voz da República. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • A condição foi imposta por Bolsonaro na manhã de terça-feira (27) em fala aos jornalistas

  • Porta-voz Otávio Rêgo Barros diz que “não existem recuos do presidente”

Horas depois de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmar que “o senhor Macron deve retirar os insultos que fez à minha pessoa”, o Planalto parece ter retirado esse item da lista de condições para aceitar os US$ 20 milhões destinados pelo G-7 ao combate dos incêndios na Amazônia.

Questionado sobre a exigência de Bolsonaro, o porta-voz Otávio Rêgo Barros não confirmou se o governo decidiu mantê-la. Disse, apenas, que o Brasil deve poder decidir como direcionar os recursos doados por outros países.

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“Quaisquer recursos advindos do exterior em benefício do combate a esse momento que vivenciamos de queimadas serão bem-vindos, mas também gostaria de reforçar que é essencial entendimento de quem venha a promover essa doação de que a governança desses recursos, financeiros ou de reposição de materiais e ferramentas, é do governo brasileiro”, afirmou o general.

Além de exigir que o presidente da França retire “os insultos”, Jair Bolsonaro também demonstrou preocupação com a soberania nacional: “Primeiro, me chamou de mentiroso. Depois, as informações que tive, é que a nossa soberania está em aberto na Amazônia. Então, realmente para conversar ou aceitar qualquer coisa da França, que seja das melhores intenções, ele (Macron) vai ter que retirar essas palavras. Primeiro, ele retira, depois ele oferece e daí eu respondo”, declarou o presidente na manhã de terça-feira (27).

Pela noite, perguntado sobre as condições para que o Brasil aceite a verba, o porta-voz não citou o pedido de desculpas. Mas disse não acreditar que isso representa um recuo da parte de Bolsonaro.

“Ele tem um estudo continuado de situação e é assessorado pelos senhores ministros, naquilo que compete a cada um, e o presidente captura essas informações. Não existem recuos do presidente. O presidente avança em direção ao bem-estar da sociedade brasileira”.

A relação entre os presidentes do Brasil e da França se tornou conflituosa após um seguidor de Bolsonaro publicar uma imagem comparando as esposas dos dois, com a legenda "Entende agora pq Macron persegue Bolsonaro?". O perfil oficial do presidente brasileiro respondeu: "não humilha cara. Kkkkkkk".