Governo Bolsonaro 'destruiu' programa de vacinação, diz grupo de transição

Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Governo Bolsonaro desmontou Programa Nacional de Vacinação (PNI) e metas de imunização não estão sendo atingidas, aponta equipe de transição de Lula;

  • Equipe de Saúde demonstra preocupação não só com a Covid-19, mas com doenças que já haviam sido erradicadas no país;

  • Transição segue “às cegas” sobre planejamento do Ministério da Saúde para campanhas de imunização do próximo ano.

O grupo de Trabalho de Saúde do governo de transição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou preocupação sobre a cobertura vacinal do país, para além da covid-19.

Em coletiva de imprensa, os ex-ministros petistas da Saúde Humberto Costa, José Gomes Temporão e Arthur Chioro apontaram que o atual governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) "praticamente destruiu" as bases do Programa Nacional de Imunização (PNI) em apenas um único mandato.

Além da vacinação contra o coronavírus, os integrantes da equipe falaram sobre imunizantes que previnem doenças como a poliomielite ou tuberculose, indicando que enfermidades que já haviam sido erradicadas no país correm o risco de retornar.

"O atual governo conseguiu praticamente destruir um esforço de quatro décadas e meia em um programa que se transformou em um modelo internacional", disse Arthur Chioro.

"Há risco concreto de reemergências de doenças que estavam erradicadas, como é o caso da pólio, e não há planejamento", acrescentou.

Segundo Chioro, nenhuma das vacinas previstas para crianças de até um ano de idade está com cobertura nacional dentro da meta.

Além disso, o Instituto Butantan, que produz e distribui oito vacinas do calendário previsto pelo PNI, ainda não foi informado sobre o planejamento do Ministério da Saúde para o próximo ano.

De acordo com Humberto Costa, a equipe de transição está “às cegas” no que se refere à vacinação no País. Já Chioro apontou não ser possível esperar até a posse de Lula, em 1º de janeiro, para começar a tomar providências sobre o planejamento das campanhas de imunização.