Governo Bolsonaro ignora técnicos da Anvisa e abrirá consulta pública sobre vacinação de crianças

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Children accompanied by their parents to be vaccinated against COVID-19, on December 19, 2021 in Parque das Nações, Lisbon, Portugal. 
Portugal starts vaccinating children aged 5 to 11 against COVID-19. 
 (Photo by Nuno Cruz/NurPhoto via Getty Images)
Children accompanied by their parents to be vaccinated against COVID-19, on December 19, 2021 in Parque das Nações, Lisbon, Portugal. Portugal starts vaccinating children aged 5 to 11 against COVID-19. (Photo by Nuno Cruz/NurPhoto via Getty Images)
  • Governo Bolsonaro vai abrir consulta pública sobre vacinação de crianças nesta quinta-feira (23)

  • Anvisa, órgão competente, já aprovou vacinação de pessoas de 5 a 11 anos contra a covid-19

  • Ministro da Saúde não acatou decisão e sugeriu "discussão ampla"

A partir da próxima quinta-feira (23), o governo de Jair Bolsonaro (PL) vai abrir uma consulta pública para que a população opine sobre a vacinação de crianças de 5 a 11 anos. A determinação foi feita pela Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 e foi publicada nesta quarta-feira (22) no Diário Oficial da União.

A consulta pública será aberta em 23 de dezembro de 2021 e ficará disponível até 2 de janeiro de 2022. Segundo a pasta, o objetivo é que “sejam apresentadas contribuições, devidamente fundamentadas”.

A vacinação em crianças de 5 a 11 anos já foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão responsável por determinar quais imunizações podem acontecer no Brasil. No entanto, o Ministério da Saúde ainda não acatou a determinação e sugeriu a consulta pública – mesmo que a decisão da Anvisa seja técnica.

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, já havia defendido uma “discussão ampla” sobre a vacinação de crianças. A ideia de Queiroga era incluir a sociedade no debate, incluindo o Conselho do Ministério Público Federal e o Conselho Nacional de Justiça.

"A aplicação de dose da vacina em criança depende de momento epidemiológico, tem uma série de avaliações", afirmou Queiroga.

Críticas do presidente da Anvisa

Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa, criticou a postura do governo federal. "Não trata-se apenas de uma decisão dos comitês técnicos da agência com seus mais de 20 anos de experiência. (...) As sociedades médicas (também) nos deram a segurança para promulgar a decisão que fizemos com base técnica, nada de política, nada de outras influências", declarou Barra Torres em entrevista à GloboNews no último dia 16. "E o que esperamos agora é uma análise o mais rápida possível (por parte do ministério)", completou.

"Eu tenho certeza que o senhor ministro de estado, ao contatar essas entidades, terá logicamente os mesmos pareceres que nós tivemos e hoje foram colocados em público", disse.

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