Governo Bolsonaro ignorou 53 e-mails da Pfizer, revela CPI da Covid no Senado

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A healthcare worker shows a vial of Pfizer/BioNTech coronavirus disease (COVID-19) vaccine in Rio de Janeiro, Brazil May 4, 2021. REUTERS/Ricardo Moraes
Inicialmente, CPI achava que governo federal havia ignorado 11 emails, mas número foi ainda maior (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)
  • Segundo a CPI da Covid, governo Bolsonaro ignorou 53 e-mails da Pfizer

  • Vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues, classificou o último e-mail como "desesperador"

  • Ao mesmo tempo, governo estaria pressionando a Índia para vender hidroxicloroquina a uma empresa brasileira

Investigações da CPI da Covid no Senado mostram que estava errada a informação de que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ignorou 11 e-mails da Pfizer para a compra de vacinas contra a covid-19. A comissão apurou que, na verdade, 53 e-mails da empresa ficaram sem resposta.

A informação foi revelada pelo vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). A última mensagem teria sido em 2 de dezembro e o senador classificou o e-mail como “desesperador”.

“CINQUENTA E TRÊS! Na investigação que estamos fazendo na CPI da Pandemia descobrimos que, na verdade, foram 53 e-mails da Pfizer que ficaram sem resposta. O último, datado de 2 de dezembro de 2020, é um e-mail desesperador da Pfizer pedindo algum tipo de informação porque eles queriam fornecer vacinas ao Brasil”, escreveu Randolfe nas redes sociais.

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Segundo o senador, enquanto o governo federal ignorava a Pfizer pela compra de vacinas contra a covid-19, o Itamaraty pressionada a Índia a liberar cargas de hidroxicloroquina para uma empresa brasileira.

“A atuação do Ministério das Relações Exteriores se assemelha, claramente, à advocacia administrativa, em outras palavras: LOBBY! É isso mesmo, o Governo Brasileiro fazendo Lobby para uma empresa. Isso é CRIME de acordo com o Artigo 321 do Código Penal!”

O governo federal acertou a primeira compra de vacinas da Pfizer, de 100 milhões de doses, só em 2021. O CEO da empresa na América Latina relatou que foram feitas diversas ofertas em 2020, com a possibilidade da chegada das primeiras doses ainda no ano passado.

Brasil poderia ter garantido 130 milhões de doses em 2020

O Brasil poderia ter garantido a compra de 130 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 ainda em 2020, caso não tivesse ignorado o Instituto Butantan e a Pfizer.

Entre julho e agosto, o Ministério da Saúde recebeu duas propostas:

As ofertas foram detalhadas pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, e pelo CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, durante depoimentos da CPI da Covid. Nos dois casos, o Ministério da Saúde não respondeu às ofertas. Só em 2021 a pasta fechou acordos para a compra dos dois imunizantes.

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"A questão da vacina não foi bem resolvida pelo país no ano passado", declarou Dimas Covas. "Existe um mercado global de vacina, a oferta é pequena e a demanda é enorme. Naquele momento, de fato, cada dia que se esperava uma definição, maior era a dificuldade para ter vacinas."

A compra não garantia que as doses fossem entregues ainda em 2020. No entanto, poderia adiantar a chegada do imunizante ao país. Até o momento, o Brasil recebeu menos de 50 milhões de doses da CoronaVac e cerca de 2,6 milhões de doses da Pfizer.

No caso da Pfizer, a promessa era de 70 milhões de doses até o fim de 2021, sendo 1,5 milhão no ano passado. Já o Butantan, segundo Dimas Covas, se comprometia a entregar as 60 milhões de doses ainda em 2020, no último trimestre. Dessa forma, o país poderia ter pelo menos 61,5 milhões de doses no ano passado.