Governo Bolsonaro marcou reunião com suposta empresa vendedora de vacinas em quatro horas

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A vial of AstraZeneca's COVID-19 biologic before being used by medical personnel to immunise people aged 40-49 years at the Telecomunicaciones facilities located in Iztapalapa, Mexico City, during the health emergency and the yellow epidemiological traffic light in the capital. (Photo by Gerardo Vieyra/NurPhoto via Getty Images)
Davati enviou proposta para vender 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca ao governo do Brasil (Foto: Gerardo Vieyra/NurPhoto via Getty Images)
  • Após email da Davati Medical Supply, Ministério da Saúde marcou reunião com a empresa em 4 horas

  • Proposta da Davati era de 3,5 dólares por dose da vacina AstraZeneca; farmacêutica nega que tenha intermediários para negociar

  • Representante da empresa, Luiz Paulo Dominguetti, Ministério da Saúde cobrou um dólar em propina por dose

A primeira proposta da Davati Medical Supply chegou ao Ministério da Saúde do governo Jair Bolsonaro (sem partido) no dia 26 de fevereiro pela manhã e, rapidamente, foi respondido pelo ex-diretor de Logística da pasta, Roberto Dias Ferreira. O Ministério da Saúde marcou o encontro com representantes da empresa para às 15h do mesmo dia.

O email enviado pelo Ministério da Saúde foi revelado pelo jornalista Octavio Guedes do G1. Na resposta à Davati, Roberto Dias Ferreira afirma que a pasta “manifesta total interesse na aquisição das vacinas desde que atendidos todos os requisitos exigidos”. No dia anterior, havia acontecido o jantar entre Dias Ferreira e o representante da empresa, Luiz Paulo Dominguetti. 

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O comportamento do Ministério da Saúde foi diferente em outras ofertas de venda de vacina, como por exemplo com a Pfizer, quando ignorou dezenas de e-mails e demorou dois meses para responder à farmacêutica. O mesmo aconteceu com o Instituto Butantan, que ofereceu a CoronaVac à pasta ainda em junho de 2020.

A oferta da Davati era de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca contra a covid-19. À Folha de São Paulo, o representante da empresa no Brasil, Luiz Paulo Dominguetti, revelou que Dias Ferreira pediu propina de 1 dólar para negociar os imunizantes.

Roberto Dias Ferreira chegou ao Ministério da Saúde indicado pelo líder do governo Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR). Barros, no entanto, nega a indicação. Após a reportagem da Folha de S. Paulo, o ministro Marcelo Queiroga determinou a exoneração do secretário.

O G1 também revelou a proposta da Davati, assinada por Heman Cárdenas. A empresa, sediada no Texas, Estados Unidos, ofereceu 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca, cada uma pelo valor de 3,5 dólares, somando 1,4 milhões de dólares.

A AstraZeneca, por outro lado, garante que não trabalha com intermediários no Brasil. As vacinas produzidas pela farmacêutica são negociadas diretamente com a empresa ou por meio do Covax Facility.

À TV Globo, a empresa Davati disse que foi procurada pelo governo brasileiro para conseguir adquirir vacinas. A Davati fez a proposta, mas disse que nunca receber resposta e, por isso, a negociação não avançou.

A expetativa é que a CPI da Covid no Senado vote nesta quarta-feira (30) a convocação de Dominguetti, representante da Davati, e também do deputado Ricardo Barros.

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