Governo Bolsonaro negociou Covaxin três vezes mais rápido que vacina da Pfizer

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Trabalhadora da área da saúde com luvas escreve em frasco da vacina Covaxin
Vacina indiana Covaxin foi comprada com pressa pelo governo Bolsonaro apesar de dúvidas sobre eficácia e do alto preço (Photo by Debarchan Chatterjee/NurPhoto via Getty Images)
  • Governo de Jair Bolsonaro negociou Covaxin três vezes mais rápido que vacina da Pfizer, mesmo após alertas da Embaixada do Brasil na Índia

  • Havia dúvidas quanto à eficácia, à segurança e ao preço do imunizante - o mais caro adquirido pelo Ministério da Saúde

  • Processo de compra demorou 97 dias, enquanto negociação com a Pfizer demorou 330 dias

O processo de negociação para compra da vacina indiana Covaxin foi o conduzido mais rápido pelo governo federal, mesmo após alertas de “dúvidas” em relação à eficácia, à segurança e ao preço do imunizante.

Segundo documento do Ministério da Saúde, o período entre a negociação e a assinatura do contrato para aquisição da Covaxin levou 97 dias. Por outro lado, o processo para compra do imunizante da Pfizer demorou 330 dias, o prazo mais longo entre todas as vacinas.

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Nenhuma outra negociação demorou menos de 100 dias, aponta uma nota informativa da Saúde enviada à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado e revelada nesta quinta-feira (17) pelo jornal O Globo.

Telegramas diplomáticos enviados à comissão mostram que a Embaixada do Brasil em Nova Déli alertou o governo brasileiro sobre dúvidas envolvendo as condições da aprovação da vacina na Índia. Os problemas foram informados ao Itamaraty no mesmo período em que o presidente Jair Bolsonaro citava a vacina como uma das “escolhidas” pelo governo brasileiro, junto à Oxford, em carta ao premiê indiano.

A CPI quer saber os detalhes envolvendo a compra da Covaxin - o imunizante mais caro adquirido pelo país, a R$ 80,70 por dose, quatro vezes o valor unitário da AstraZeneca.

A comissão já aprovou a quebra de sigilo de Francisco Emerson Maximiano, empresário sócio da Precisa Medicamentos (que representa o laboratório indiano Bharat Biotec, fabricante da Covaxin).

Os senadores querem saber como a representante da empresa no Brasil lucrou com a transação avaliada em R$ 1,6 bilhão para fornecer 20 milhões de imunizastes. A Precisa já é alvo de inquéritos no Ministério Público.

A Covaxin só conseguiu autorização para uso emergencial no Brasil pela Anvisa neste mês. Com a demora, as 20 milhões de doses adquiridas pelo Brasil ainda não foram enviadas. O Ministério da Saúde tentou importar, em março, três lotes da Covaxin com prazo de validade perto do fim, mas foi impedido pela Anvisa.

Em 5 de janeiro deste ano, a Embaixada informou que a autoridade sanitária da Índia havia aprovado a Covaxin e uma outra vacina, a Covishield (também conhecida como Oxford/AstraZeneca). Enquanto a vacina de Oxford já estava com a fase 2 e 3 de pesquisa em andamento, a fase 3 da Covaxin ainda não havia começado. O diplomata apontou que, segundo a imprensa local, seria difícil confiar nos dados finais de eficácia da Covaxin coletados após a aprovação.

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