Governo Bolsonaro negociou vacina com empresa que denunciou propina, diz jornal

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BRASILIA, BRAZIL - JUNE 29: President of Brazil Jair Bolsonaro touches his face during an event to launch a new register for professional workers of the fish industry at Planalto Government Palace on June 29, 2021 in Brasilia, Brazil. Health Minister, Marcelo Queiroga, announced after the event and in conversation with journalists, that the contract with the Covaxin vaccine is suspended. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Bolsonaro em evento sobre o cancelamento do contrato com a Covaxin

Emails obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo mostraram que o Ministério da Saúde negociou oficialmente a venda de vacinas com representantes da Davati Medical Supply. Um membro da empresa falou ao jornal que recebeu pedido de propina de um dólar por dose em troca do contrato assinado.

As mensagens oram trocadas entre Roberto Ferreira Dias, diretor de Logística do ministério, Herman Cardenas, que aparece como CEO da empresa, e Cristiano Alberto Carvalho, que se apresenta como procurador dela.

Um dos emails foi trocado em 26 de fevereiro por meio do endereço funcional de Dias, "roberto.dias@saude.gov.br", e "dlog@saude.gov.br”.

Na conversa, Cardenas informa da oferta de 400 milhões de doses da vacina Astrazeneca, citando Luiz Paulo Dominguetti como representante da empresa. "Fico no aguardo para ajudar a obter vacinas para seu país", diz ele

Em entrevista à Folha, Dominguetti disse que jantou na noite anterior com Roberto Dias em Brasília, quando ouviu, segundo ele, o pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina negociada.

"Ele me disse que não avançava dentro do ministério se a gente não compusesse com o grupo, que existe um grupo que só trabalhava dentro do ministério, se a gente conseguisse algo a mais tinha que majorar o valor da vacina, que a vacina teria que ter um valor diferente do que a proposta que a gente estava propondo", afirmou à Folha o representante da empresa.

Segundo ele contrato não foi assinado porque a empresa se recusou a pagar a propina.

Dias foi indicado ao cargo pelo deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara. Barros nega essa indicação.

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