Governo Bolsonaro pressionou diretamente para tirar presos de grupo prioritário para vacinas

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Former Executive Secretary of the Ministry of Health Antonio Elcio Franco Filho speaks during a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil June 9, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Segundo Francieli Fantinato, ordem de retirar presos do PNI foi dada por Elcio Franco, então número 2 do Ministério da Saúde (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Ministério da Saúde deu orientação expressa para exclusão de presos da prioridade na vacinação

  • Segundo Franciele Fantinato, ordem foi dada pelo então número 2 da pasta, Elcio Franco

  • Elcio Franco deixou o Ministério da Saúde, mas ainda atua no governo Bolsonaro, como assessor especial da Casa Civil

A ex-coordenadora do Plano Nacional de Imunização, Franciele Fantinato, declarou à CPI da Covid que o Ministério da Saúde pediu diretamente a retirada dos presos do grupo prioritário da vacinação. 

A informação foi repetida em diversas ocasiões, como ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). "A secretaria-executiva interferiu ou tentou interferir no PNI?", perguntou o parlamentar. 

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"Vou repetir, em relação ao grupo prioritário, população privada de liberdade. Esse grupo foi solicitado que retirasse", relatou Franciele. Ao ser questionada de quem partiu a ordem, ela respondeu que se tratava de uma orientação do coronel Elcio Franco, então número 2 da pasta, cujo ministro era Eduardo Pazuello. 

Randolfe Rodrigues perguntou, então, qual seria a justificativa técnica para a decisão. "Não fui informada", disse a ex-servidora. 

Apesar de não estar mais no Ministério da Saúde, Elcio Franco continua como membro do governo Bolsonaro. Ele ocupa o posto de assessor especial da Casa Civil. 

Mais tarde, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) voltou a perguntar: "O governo do presidente Bolsonaro orientou, de alguma maneira, priorizar a vacinação de pessoas que não estivesse em grupos prioritários, favorecendo algum grupo específico?" 

Franciele respondeu que houve pressões de diversos grupos da sociedade. "Até por meio de documentos que chegaram ao PNI e nós levamos sempre para discussão da Câmara técnica. A única pressão direta, de dentro do Ministério foi população privada de liberdade."

A ex-coordenadora do PNI exaltou a importância das vacinas e, em mais de uma ocasião, criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro de não apoiar os imunizantes contra a covid-19. Carvalho perguntou quais as maiores dificuldades de Franciele no cargo. "Uma campanha sem doses suficientes e sem campanha publicitária", afirmou.

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