Governo Bolsonaro trocou perguntas do Enem consideradas “sensíveis”, diz jornal

·2 min de leitura
BRAZIL - 2020/10/18: In this photo illustration the Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) logo seen displayed on a smartphone. (Photo Illustration by Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
Enem acontece nos dias 21 e 28 de novembro (Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
  • Governo Bolsonaro teria retirado 24 perguntas do Enem, consideradas "sensíveis"

  • Sendo o jornal O Estado de São Paulo, desequilíbrio das questões fez com que 13 delas fossem recolocadas na prova

  • Censura teria sido feita pelo diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, Anderson Oliveira

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teria escolhido 24 questões para serem retiradas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), após uma avaliação feita pelo diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, Anderson Oliveira. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O Enem, principal porta de entrada nas universidades federais, tem um equilíbrio entre questões consideradas fáceis, médias e difíceis. Com a retirada das 24 questões, a prova ficou “descalibrada” e, por isso, 13 perguntas tiveram de ser reinseridas no exame.

Segundo o jornal, o Inep tomou a decisão de imprimir a prova antes da aplicação para que mais pessoas pudessem ver o conteúdo das perguntas. Quando Anderson Oliveira avaliou a prova – uma “leitura críticas” – considerou que as 24 questões eram “sensíveis” e optou por tira-las.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é o órgão responsável pelo Enem e enfrenta uma crise. Mais de 30 funcionários pediram exoneração e, em reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, relataram casos de assédio moral e pressão. Na ocasião, ex-funcionários já haviam relatado que Anderson Oliveira pediu que mais de 20 questões fossem tiradas da prova do Enem – a maioria dizia respeito a contextos sociopolíticos ou socioeconômicos.

O jornal procurou Anderson Oliveira, mas o diretor do Inep não se posicionou sobre o caso. O Enem acontece nos dois próximos domingos, 21 e 28 de novembro.

Declarações de Jair Bolsonaro

Em Dubai, o presidente Jair falou sobre o Enem e afirmou que: "começam agora a ter a cara do governo as questões da prova do Enem".

"Ninguém precisa ficar preocupado. Aquelas questões absurdas do passado, que caíam tema de redação que não tinha nada a ver com nada. Realmente, algo voltado para o aprendizado."

Em Dubai, o presidente afirmou ter conversado com o ministro da Educação, Milton Ribeiro. "Seria bom vocês conversarem com eles, o que levou àquelas demissões. Não quero entrar em detalhes, mas é um absurdo o que se gastava com poucas pessoas lá. Um absurdo, tá?"

Milton Ribeiro nega interferência

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, negou que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tenha sofrido interferências. Ribeiro classificou as polêmicas sobre o teste como "ruídos pré-Enem". As declarações foram dadas em entrevista à CNN.

Ainda nesta terça-feira (16), Ribeiro foi abordado por jornalistas da porta do Ministério da Educação (MEC) e disse que a crise em torno do Inep se trata de uma "questão administrativa".

Na entrevista à CNN, o ministro da Educação falou ainda em "politização". “O Enem está garantido, as provas já foram impressas e encaminhadas. Não há como interferir. A ideia de que houve interferência é uma narrativa de quem quer politizar a educação. A educação não tem partido”, disse.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos