Governo Bolsonaro venderá Correios por "valorzinho", diz secretária de Paulo Guedes

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Estatal é responsável por inúmero serviços além da entrega de correspondências e encomendas (Correios | Divulgação)
Estatal é responsável por inúmero serviços além da entrega de correspondências e encomendas (Correios | Divulgação)
  • Os Correios serão colocados à venda por um "valorzinho", afirmou a secretária de privatizações

  • A estatal irá a leilão por uma quantia simbólica, sem objetivo de fazer caixa para o governo

  • O preço mínimo será baixo porque o comprador levará em conta os custos que terá de assumir

Os Correios serão colocados à venda por um "valorzinho", afirmou a responsável do Ministério da Economia pelas privatizações. Em entrevista ao portal UOL, Martha Seillier, secretária especial do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), declarou que a estatal irá a leilão por uma quantia simbólica, sem objetivo de fazer caixa para o governo.

De acordo com Seillier, o preço mínimo será muito menor do que o valor dos ativos da empresa, porque o comprador levará em conta os custos que terá de assumir. Além da obrigação de manter o serviço de cartas e correspondências em todo o Brasil, a empresa privatizada passará a pagar impostos que hoje a estatal não paga.

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"Essa é a conta que estamos fazendo. Vai sobrar um valorzinho, vamos dizer assim, que é o quanto a gente vai pedir no leilão", disse a secretária ao portal UOL.

A secretária declarou que só será possível estimar o lance mínimo do leilão após a segunda fase dos estudos de privatização, que devem ficar prontos em setembro, e depois que o Congresso confirmar a venda.

O projeto de lei, que já passou pela Câmara, ainda precisa de aprovação do Senado e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo o balanço contábil de 2020, os Correios têm um patrimônio líquido de R$ 950 milhões (valor dos ativos menos o dos passivos). O documento afirma que os imóveis da empresa valem R$ 3,85 bilhões, mas que o valor está defasado, pois o processo de reavaliação dos imóveis foi prejudicado pela pandemia.

"No fim das contas, o valor será simbólico. É claro que é uma empresa muito grande e a tendência é a gente ir para o leilão. Se tiver muita concorrência, haverá um ágio [diferença entre o lance mínimo e a proposta vencedora] e a gente vai acabar tendo um valor relevante na venda dos Correios. Mas esse não é o foco", disse a secretária.

De acordo com Seillier, a empresa não conseguirá se manter lucrativa por muito tempo se continuar sob gestão pública. As amarras de uma estatal, como a obrigação de fazer licitação e a lentidão na tomada de decisões, tornam os Correios cada dia menos competitivos na área de e-commerce (vendas pela internet).

"Não teremos como aportar recursos, tirar dinheiro da educação, da segurança ou da saúde para fazer investimentos nos Correios. Vai começar a ter diretriz de desinvestimento, com corte de cidades deficitárias, demissão de pessoal e fechamento de agências", argumentou.

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