Governo brasileiro teve informação de renúncia coletiva na Bolívia

PATRÍCIA CAMPOS MELLO
***FOTO DE ARQUIVO*** NOVA YORK, EUA - 23.09.2019 - ONU-NOVA YORK - Evo Morales, Presidente da Bolivia durante encontro com Antonio Guterres Secretário-geral das Nações Unidas na sede das Nações Unidas (ONU) em Nova York nos Estados Unidos nesta segunda-feira, 23 setembro. (Foto: Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo brasileiro está acompanhando a situação na Bolívia e obteve informações, ainda não confirmadas, de que, além de Evo Morales, também renunciaram o vice-presidente, Alvaro García Linera, o presidente da Câmara, Victor Borda, e a presidente do Senado boliviano, Adriana Salvatierra.

Com isso, o próximo na linha de sucessão, que assumiria enquanto não são convocadas novas eleições, seria Petronio Flores, presidente do Tribunal Constitucional, o Supremo Tribunal Federal da Bolívia.

Mais cedo, o Itamaraty havia soltado uma nota sobre a análise de Integridade Eleitoral das eleições feita pela OEA, que detectou graves irregularidades no pleito, e pedindo realização de novas eleições.

O Itamaraty está aguardando ter informações mais concretas para se pronunciar, uma vez que há muitos boatos correndo.

Evo Morales renunciou à Presidência da Bolívia em pronunciamento na televisão às 18h (horário de Brasília), da cidade de Cochabamba, após pressão das Forças Armadas e protestos intensos nas grandes cidades do país.

"Me dói muito que nos tenham levado ao enfrentamento. Enviei minha renúncia para a Assembleia Legislativa Plurinacional", afirmou.

Ele havia anunciado a convocação de novas eleições na manhã do domingo, depois que o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, pediu a anulação das eleições na Bolívia, após auditoria realizada na apuração dos votos. 

A tensão na Bolívia vem escalando nas últimas semanas por conta de enfrentamentos entre apoiadores e críticos de Morales, que o acusam de fraude. Nos dias mais recentes, houve levantes de policiais e militares que se recusaram a tomar ações de repressão contra opositores, nquanto Morales acusava uma "tentativa de golpe de Estado".

A Bolívia vive um agravamento da tensão nas ruas por conta dos resultados contraditórios divulgados após as eleições do último dia 20 de outubro, que conferia um quarto mandato a Evo.

O órgão eleitoral iniciou uma contagem rápida, que dava um resultado de segundo turno até os 80% das atas apuradas. Três horas depois, porém, essa contagem foi interrompida por 24 horas, enquanto se acelerou a contagem "voto a voto". Quando por fim foram anunciados os resultados, Morales estava na frente por pouco mais de dez pontos percentuais de vantagem, o que o levaria a conquistar seu quarto mandato já num primeiro turno.