Governo britânico é acusado de "chantagem" para manter Johnson no poder

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Primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, durante visita a centro de diagnósticos em Taunton
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Por Elizabeth Piper e Kate Holton

LONDRES (Reuters) - Um importante parlamentar conservador acusou nesta quinta-feira o governo britânico de intimidação e de tentativa de "chantagem" contra os parlamentares que suspeitam de querer forçar a saída do primeiro-ministro Boris Johnson do poder.

Johnson, que conquistou uma grande maioria para seu partido numa eleição em 2019, enfrenta cada vez mais pedidos para renunciar diante de uma série de escândalos, inclusive a admissão de que teria comparecido a uma festa em sua residência oficial de Downing Street em um momento em que o país passava por um rígido regime de lockdown para conter a Covid-19.

Alguns parlamentares mais jovens lideram tentativas de derrubar Johnson, mas foi um ataque de um dos mais antigos membros do Partido Conservador que provocou choque quando ele disse ao primeiro-ministro no Parlamento: "Em nome de Deus, vá".

Johnson, de 57 anos, prometeu continuar lutando, dizendo que irá liderar o Partido Conservador até as próximas eleições e avisando um parlamentar que deixou o partido e se transferiu para o partido de oposição Trabalhista na quarta-feira que irá reconquistar sua vaga.

Mas em mais um golpe à sua hesitante postura, William Wragg, presidente do Comitê de Administração Pública e Assuntos Constitucionais, que supervisiona questões e padrões constitucionais, acusou o governo de chantagem.

"Nos últimos dias, uma série de membros do Parlamento tem enfrentado pressões e intimidações de membros do governo por conta de seus desejos declarados ou assumidos pela realização de uma votação de confiança na liderança do primeiro-ministro no partido", disse Wragg em nota antes de uma reunião do comitê.

"Além disso, as informações das quais estou ciente, parecem constituir chantagem. Como tal, seria meu conselho geral aos colegas que reportem essas questões ao presidente da Câmara dos Comuns e ao comissário da Polícia Metropolitana."

Em resposta às acusações, um porta-voz de Downing Street disse: "Não estamos cientes de quaisquer evidências que suportem o que são claramente sérias alegações. Se há qualquer evidência para apoiar essas acusações, vamos examiná-las com muito cuidado".

O limite de parlamentares necessário para iniciar uma votação de confiança contra Johnson ainda não foi atingido, com vários parlamentares conservadores dizendo que irão esperar até o fim da investigação sobre as festas que quebraram as regras do lockdown.

A investigação está sendo liderada pela servidora civil Sue Gray. O editor de Política da ITV afirmou no Twitter que Gray havia encontrado um e-mail de uma autoridade sênior alertando o secretário principal particular de Johnson que a festa no dia 20 de maio não deveria acontecer.

Johnson disse que compareceu ao que pensou ser um evento de trabalho no dia 20 de maio de 2020, ao qual a equipe recebeu o convite e a orientação para "levar sua própria bebida". Johnson disse na terça-feira que ninguém havia dito a ele que a reunião seria contra as regras impostas para combater a Covid-19.

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