Governo britânico pede poderes extraordinários para combater o coronavírus

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, participa de uma conferência de imprensa sobre o coronavírus em 10 Downing Street, em Londres

Deter certas pessoas por motivos de saúde pública ou convocar médicos e enfermeiros aposentados são alguns dos poderes extraordinários contra o coronavírus que o governo britânico solicitará em um projeto de lei de emergência que apresentará ao Parlamento na quinta-feira.

Esta legislação, que teve o conteúdo publicado na terça-feira à noite, pretende ajudar o serviço público de saúde a lutar contra a covid-19 e frear a propagação da epidemia.

A polícia terá o poder de prender e isolar pessoas para proteger a saúde pública. Os trabalhadores da área da saúde e do serviço social aposentados poderão ser convocados como apoio, enquanto os voluntários que cuidam de pacientes terão medidas de proteção para permitir a "suspensão" de seu trabalho principal pelo máximo de quatro semanas.

O governo também deseja reduzir a burocracia nos hospitais para que os leitos sejam liberados o mais rápido possível.

Nem todas as medidas terão efeito imediato e serão limitadas a no máximo dois anos.

De acordo com o jornal The Times, o projeto de lei será aprovado esta semana sem qualquer votação dos deputados, já que os partidos políticos concordam com seu conteúdo.

A lei deve entrar em vigor antes do recesso parlamentar previsto para fim da próxima semana.

O deputado trabalhista Chris Bryant criticou as "medidas de emergência draconianas" e pediu um debate parlamentar a respeito do período de dois anos.

O Reino Unido tem 1.950 casos confirmados e 71 mortes provocadas pela covid-19, mas o país não faz testes sistemáticos e o principal conselheiro científico do governo reconheceu que é "razoável" pensar que 55.000 pessoas foram infectadas.

O primeiro-ministro Boris Johnson, que na segunda-feira modificou o rumo de uma estratégia criticada como laxista e pediu a todo país que evite o "contato social não essencial", responderá nesta quarta-feira às perguntas dos deputados na sessão semanal na Câmara dos Comuns.

O governo prometeu respaldar a economia "custe o que custar" ante as consequências da pandemia com créditos às empresas de até 330 bilhões de libras e ajudas de até 20 bilhões.