Governo britânico resiste a um confinamento nacional, apesar da pressão

Anna CUENCA
·2 minuto de leitura
Boris Johnson em 30 de setembro de 2020 em Londres
Boris Johnson em 30 de setembro de 2020 em Londres

O governo britânico insistiu, nesta quinta-feira (29), que manterá sua política de restrições locais, em vez de um novo confinamento nacional como outros países europeus, apesar da crescente pressão após a divulgação de um relatório alarmante.

"Continuaremos com nossa abordagem localizada, mas suscetíveis a tomar medidas onde o vírus é mais forte", disse ao canal Sky News o ministro de Comunidades Locais, Robert Jenrick. 

Ele justificou afirmando que "apesar de o vírus estar aumentando em todo o país, está muito concentrado em alguns lugares".

O norte da Inglaterra é a área mais afetada há semanas. Grandes cidades como Liverpool e Manchester estão sob as maiores restrições, com bares e pubs fechados e proibição de reuniões em espaços internos com familiares e amigos com quem não se conviva.

No entanto, um estudo publicado nesta quinta-feira pelo Imperial College London e Ipsos Mori, lançou o alerta sobre a rápida propagação do vírus em áres do sul, que poderiam rapidamente chegar ao mesmo nível.

Entre 16 e 25 de outubro, 128 a cada 10.000 habitantes da Inglaterra se infectaram com o coronavírus, contra 60 a cada 10.000 anteriormente, aponta o estudo, destacando que os casos dobram a cada nove dias.

A taxa de reprodução do vírus, conhecida como R, subiu para 1,6 em nível nacional, o que significa que na média 10 infectados contagiam outros 16.

Mas em Londres, onde a situação era até agora moderada, a reprodução disparou para 2,86.

- "Nivelamento" nacional -

O Reino Unido "aparentemente foi capaz de frear a propagação em algumas partes do norte do país através de uma ação local muito eficaz", reconheceu o enviado especial da Organização Mundial da Saúde (OMS), David Nabarro, em declarações à BBC Radio 4.

Mas isso "levou a uma espécie de nivelamento e parece que as partes do sul do Reino Unido estão acelerando", destacou.

O país registrou na quarta-feira 310 mortes por covid-19. 

Foi o segundo dia consecutivo com mais de 300 mortes, o que aumentou a pressão sobre o governo conservador para que siga o exemplo da vizinha França, onde o presidente Emmanuel Macron decretou no dia anterior um segundo confinamento nacional de um mês para tentar retomar o controle do vírus.

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson rejeitou energicamente até agora essa opção, devido ao impacto devastador que teria em uma economia já muito afetada pelo primeiro confinamento.

Mas o jornal The Sun afirmou que os cientistas que assessoram o governo pedem regulamentos mais rigorosos e o opositor Partido Trabalhista está há dias pressionando o Executivo para que paralise o país por duas ou três semanas para "quebrar o circuito" de infecções.

O Reino Unido é o país mais castigado da Europa, com mais de 45.000 mortes confirmadas por covid-19.

acc/zm/aa/cc