Governo do Chile anuncia injeção de US$ 25 bi no mercado para conter queda do peso

A queda do peso chileno, que já chega a 19% este ano, levou o governo do país a anunciar, na noite de quinta-feira, que fará uma intervenção no mercado de câmbio local, injetando um total de US$ 25 bilhões no sistema financeiro até setembro.

O programa prevê venda direta de até US$ 10 bilhões das reservas internacionais do país, além da oferta de contratos futuros de câmbio.

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O anúncio veio após o peso ter se desvalorizado 4% só na quinta-feira, reagindo a uma alta de juros considerada insuficiente por analistas do mercado para proteger o valor da moeda. O banco central chileno subiu os juros em 0,75 ponto percentual na quarta-feira, para 9,25% ao ano, o maior patamar desde 1998.

O peso chegou a ser negociado por apenas 1.060,40, renovando as mínimas históricas.

Maior produtor de cobre do mundo e com uma economia muito dependente de exportações, o Chile sofre as consequências de uma queda nas cotações das commodities em meio à previsão de que EUA e países europeus possam entrar em recessão.

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As cotações do cobre estão no menor patamar dos últimos 20 anos.

- Com a perspectiva de recessão global começando a dominar o cenário, o banco central chileno está tentando conter a queda da moeda – avalia Todd Schubert, analista do Banco de Cingapura.

As reservas internacionais do Chile caíram de US$ 55 bilhões em outubro para US$ 45,8 bilhões em julho, mas ainda são robustas para o tamanho da economia do país.

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A queda do peso chileno é preocupante porque pode acelerar ainda mais a alta da inflação no país. Em junho, a alta de preços chegou a 12,5% no acumulado em 12 meses, o maior patamar desde 1994, e bem acima da meta de 3% estabelecida pelo governo.

O aumento no custo de vida levou o presidente de esquerda Gabriel Boric, eleito em março, a anunciar esta semana a ampliação, em US$ 1,2 bilhões, de um pacote de ajuda às famílias chilenas.

O programa prevê distribuir 120 mil pesos, o equivalente a US$ 120, para 7,5 milhões de famílias. E faz parte de um projeto chamado Chile Apoya, que Boric lançou em abril com um custo fiscal originalmente estimado em US$ 3,7 bilhões.

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