Escândalo e lei antiterrorista minam popularidade de premiê do Japão

Tóquio, 19 jun (EFE).- O Governo do Japão, liderado pelo primeiro-ministro Shinzo Abe, se viu atingido por um novo escândalo, que unido à aprovação da polêmica lei anticonspiração terrorista afundou sua popularidade ao pior nível em quase um ano, segundo pesquisa publicada nesta segunda-feira.

Menos da metade dos japoneses (49%) apoiam o Governo do premiê conservador, o que representa sete pontos menos que em maio e 11 menos que em abril, segundo consulta feita pelo jornal de economia "Nikkei" e a rede "TV Tokio".

Outra pesquisa realizada pela agência "Kyodo" aponta um apoio ainda menor, de 44,9%, o que representa 10,5 pontos menos que em maio.

Esta forte queda da popularidade de Abe e do seu Executivo acontece justamente no final de um período parlamentar no qual o Governo sofreu notável desgaste por causa de vários escândalos e da aprovação de controversas propostas legislativas.

Na quinta-feira passada, a Câmara Alta japonesa deu sinal verde à chamada lei anticonspiração, supostamente destinada a prevenir o terrorismo, que segundo os seus opositores restringe liberdades básicas, por ter um campo de aplicação muito amplo.

Além disso, nas últimas semanas, Abe se viu afetado por outro caso que indignou a sociedade japonesa: o suposto tratamento preferencial dado pelo Executivo a uma universidade para criar uma nova faculdade de veterinária, graças à boa relação entre o seu diretor e o premiê.

O apoio popular ao líder conservador sofre assim seu pior momento desde outubro do ano passado, quando caiu devido à adoção da legislação que ampliava as competências das Forças de Auto Defesa (Exército), muito criticada ao ser considerada uma ameaça ao caráter pacifista da Constituição do país. EFE