Governo Bolsonaro cobrou propina de US$1 por dose para comprar vacina, diz jornal

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A member of the Armed Forces holds a vial of the AstraZeneca/Oxford vaccine against the novel coronavirus COVID-19 obtained through the Covax scheme, at the CCK Cultural Centre in Buenos Aires on June 15, 2021. (Photo by Juan MABROMATA / AFP) (Photo by JUAN MABROMATA/AFP via Getty Images)
Governo tentou cobrar propina em negociação por vacina da Astrazeneca (JUAN MABROMATA/AFP via Getty Images)

Resumo da Notícia:

  • Diretor do Ministério da Saúde pediu propina para fechar contrato de vacina

  • Segundo representante de empresa, cada dose teria propina de 1 dólar

  • Sugestão aconteceu em um jantar em restaurante em Brasília

O representante de uma empresa que ofereceu vacinas ao Ministério da Saúde disse que recebeu um pedido de propina para fechar um contrato. Para casa dose fornecida, 1 dólar seria pago como propina.

A informação foi dada por Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da empresa Davati Medical Supply, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

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Segundo Dominguetti, a cobrança de propina partiu do diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, durante um jantar em um restaurante no Brasília Shopping, no dia 25 de fevereiro de 2021. 

Dias foi nomeado ao cargo na Saúde no dia 8 de janeiro de 2019, ainda com o comando do ministro Luiz Henrique Mandetta. Ele era uma indicação de Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara e nome citado nas denúncias dos irmãos Miranda no contrato com a vacina indiana Covaxin.

Representando a Davati, Dominguetti negociava com o governo 400 milhões de doses da vacina da Astrazeneca, cobrando 3,50 dólares por cada dose. Depois disso, o preço subiu para 15,50 dólares por unidade.  

Segundo o representante, Dias disse que para negociar com o ministério, ele precisaria "majorar o valor da vacina", colocando em um valor diferente do que era oferecido pela Davati. O diretor da pasta era acompanhado por um militar e um empresário de Brasília.

"Eu falei que não tinha como, não fazia, mesmo porque a vacina vinha lá de fora e que eles não faziam, não operavam daquela forma. Ele me disse: 'Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma", lembra o representante. Perguntado sobre a "forma", Dominguetti disse que seria "acrescentar um dólar por dose".

O representante afirmou ter negado o pedido de propina feito por Dias.

"Aí eu falei que não fazia, que não tinha como, que a vacina teria que ser daquela forma mesmo, pelo preço que estava sendo ofertado, que era aquele e que a gente não fazia, que não tinha como. Aí ele falou que era para pensar direitinho e que ia colocar meu nome na agenda do ministério, que naquela noite que eu pensasse e que no outro dia iria me chamar", afirmou.

Dominguetti foi ao Ministério da Saúde no dia seguinte e recebeu um pedido de Dias para adiantar documentações da vacina. Logo depois, o diretor da pasta deixou o representante em uma sala enquanto foi para uma reunião. Ele chegou a receber uma ligação perguntando se teria acerto e respondeu dizendo que não tinha como.

"Aí me chamaram, disseram que ia entrar em contato com a Davati para tentar fazer a vacina e depois nunca mais. Aí depois nós tentamos por outras vias, tentamos conversar com o Élcio Franco, explicamos para ele a situação também, não adiantou nada. Ninguém queria vacina", contou o representante.

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