Governo colombiano confirma morte do principal líder das dissidências das Farc

O principal líder dos dissidentes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Néstor Vera, conhecido como Iván Mordisco, morreu junto com outros nove rebeldes em um ataque das Forças Armadas colombianas no sudoeste do país, no começo desta semana. A morte de Mordisco, um dos líderes das Farc que se recusaram a acatar o acordo de paz, em 2016, foi confirmada nesta sexta-feira.

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— Essa operação permitiu a neutralização de nove indivíduos dessa primeira frente de dissidentes das Farc e a neutralização de Iván Mordisco — disse à imprensa o ministro da Defesa, Diego Molano. — Cai o último grande líder das Farc cai e se dá um golpe final às dissidências.

Em 8 de julho, os militares lançaram uma operação estratégica no departamento de Caquetá, com ajuda da Força Aérea, na qual morreram dez rebeldes, de acordo com o comandante das Forças Militares, o general Luis Fernando Navarro. Foi o ato final de uma mobilização que durou várias semanas e envolveu 500 soldados pelas selvas da região.

O objetivo era encontrar Mordisco, que assumiu o comando de quase 2 mil rebeldes após a morte de Gentil Duarte, que liderou o chamado Bloco Sudoeste das dissidências até o fim de maio, quando caiu na Venezuela durante um combate com uma quadrilha de traficantes, segundo a Inteligência colombiana.

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Em julho de 2016, faltando quatro meses para a assinatura do acordo que pôs fim a cinco décadas da guerrilha, Mordisco se tornou o primeiro chefe das Farc a abandonar o processo de paz junto com vários subordinados da frente guerrilheira Armando Ríos.

O governo colombiano oferecia uma recompensa de quase US$ 700 mil por informações sobre seu paradeiro. De acordo com o governo, Mordisco estava em meio a uma feroz disputa pelas rotas do narcotráfico com outra facção dissidente chamada Segunda Marquetalia, liderada pelo ex-chefe das Farc Iván Márquez. Ex-número dois das Farc, Márquez fez parte do acordo antes de voltar a pegar em armas em 2019, anunciando uma "nova etapa da luta armada".

A Colômbia afirma que Márquez foi, recentemente, alvo de um ataque na Venezuela e está ferido, internado em um hospital do país vizinho. Caracas garante que a versão é uma "especulação".

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— Hoje, na Colômbia não tem mais nenhum dos cabeças, dos grandes chefões, que as Farc tinham. Isso é um golpe fundamental nos planos de refundação — afirmou Molano.

Sem um comando unificado, as dissidências somam cerca de 5.200 militantes distribuídos em diferentes regiões do país, segundo a ONG Indepaz, e se financiam, principalmente, do tráfico de drogas e da exploração ilegal de ouro e de outros minerais. A maioria (85%) é composta de novos recrutas que nunca estiveram na ex-guerrilha.

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