Governo corrige números de exportações nos meses de setembro, outubro e novembro em US$ 6,488 bi

Eliane Oliveira
Colheita de soja em fazenda de Barreiras, na Bahia.

BRASÍLIA - Após corrigir em quase US$ 4 bilhões o valor exportado nas quatro primeiras semanas de novembro, na última quinta-feira, o governo voltou a alterar os dados da balança comercial brasileira, desta vez relativos aos meses de setembro e outubro, que tiveram um acréscimo contábil de, respectivamente, US$ 1,368 bilhão e US$ 1,345 bilhão. Levando em conta que o ajuste de novembro foi de US$ 3,775 bilhões, o tamanho do erro ficou em US$ 6,488 bilhões.

- Notamos que, nas primeiras semanas de novembro, havia evidências muito claras de que os números das exportações estavam exageradamente baixos - disse Saulo Guerra, coordenador-geral de Estatística da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia.

De acordo com os técnicos, houve uma falha humana cometida pelo Serviço de Processamento de Dados (Serpro) no momento da transmissão dos dados coletados para o sistema. A partir da identificação das inconsistências nos números, foi feita uma auditoria, que constatou que havia sub-notificações também nos meses de setembro e outubro.Em outubro, o déficit em transações correntes divulgado pelo Banco Central atingiu US$ 7,874 bilhões. A causa foi o baixo desempenho das operações de comércio exterior. O BC recebeu os números atualizados para ajustar seus indicadores.

- O Serpro tem um contrato e, na prestação desse serviço, incorreu no erro, registrando um valor melhor do que o esperado. Não leu a totalidade dos dados no período de apuração - explicou Ricardo Jucá, diretor de Desenvolvimento do Serpro.

Herlon Brandão, subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, informou que as inconsistências ocorreram de forma geral, ou seja, não atingiram produtos específicos. Ele afirmou que os números atualizados estão em linha com o saldo esperado pelo governo para 2019, de US$ 41,8 bilhões.

Segundo o Ministério da Economia, de janeiro a novembro deste ano, a balança comercial acumulava um superávit de 41,079 bilhões. No mês passado, o saldo foi positivo em US$ 3,428 bilhões, o menor desde 2015, quando as exportações superaram as importações em US$ 1,177 bilhão.

A carne bovina in natura foi o produto que apresentou a maior taxa de crescimento nas exportações em novembro, de 45%, o correspondente a um acréscimo de US$ 235 milhões na pauta. Com o aquecimento no mercado externo, por causa da elevação da demanda chinesa, o produto ficou 35% mais caro em São Paulo em um mês.