Governo da Venezuela diz à Opas que não receberá vacina AstraZeneca

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Uma dose da vacina anticovid da AstraZeneca

O governo venezuelano informou à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) que não comprará vacinas da AstraZeneca contra a covid-19, cuja aplicação não foi autorizada no país, informaram nesta quarta-feira (24) o presidente Nicolás Maduro e outros altos funcionários.

"A Venezuela autorizou um conjunto de vacinas que são as que vão entrar (...) Não vai entrar nenhuma vacina no país, nem deve ser enviada que não tenha sido autorizada por nossos institutos científicos nacionais, pelos institutos farmacológicos, pelas autoridades sanitárias", disse Maduro na TV estatal.

Caracas informou a um representante da Opas sua decisão em 15 de março, em reunião na qual foi estudado o esquema do mecanismo Covax, promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir a distribuição equitativa das imunizações, explicou a vice-presidente Delcy Rodríguez em discurso pela televisão.

A vice-presidente venezuelana justificou a decisão por "laudos técnicos" de efeitos colaterais que o governo possui sobre a vacina AstraZeneca.

"Já há clareza de que a Venezuela vai escolher através deste mecanismo (Covax) qual é a vacina que está permitida", acrescentou a vice-presidente.

A Venezuela até agora aprovou apenas a imunização contra a covid-19 com a vacina russa Sputnik V e do laboratório chinês Sinopharm.

Na terça-feira, Ciro Ugarte, diretor do Departamento de Emergências Sanitárias da Opas, afirmou que a Venezuela receberia vacinas da empresa anglo-sueca AstraZeneca produzida pela Coreia do Sul por meio da Covax, garantindo que não seriam as doses suspensas na Europa devido a possíveis riscos de coagulação.

A Opas informou no início de fevereiro que a Venezuela reservou entre 1,4 milhão e 2,4 milhões de doses de vacinas anticovid sob a Covax. Mas a Opas, órgão regional da OMS, alertou que a Venezuela corre o risco de perder a reserva se não pagar um adiantamento de 18 milhões de dólares pelos imunizantes.

O governo de Maduro, que formou uma comissão técnica com legisladores da oposição e membros da Opas para gerenciar a pandemia, não tem acesso aos recursos do país no exterior, cujo controle está nas mãos do líder oposicionista Juan Guaidó, reconhecido desde 2019 como presidente interino da Venezuela pelos Estados Unidos e outros cinquenta países.

Maduro pediu à Opas que providencie a compra de vacinas para liberar 300 milhões de dólares da Venezuela bloqueados no Banco da Inglaterra em meio a sanções financeiras.

Em 19 de março, Guaidó anunciou a liberação de 30 milhões de dólares correspondentes a recursos bloqueados no exterior, com os quais o país pagará sua entrada no mecanismo da OMS para importar as doses.

Pelo Twitter, Guaidó acusou o governo socialista de "pôr obstáculos a uma urgência", pedindo para autorizar a entrada das vacinas.

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