Governo de SP vai proibir manifestações pró e contra Bolsonaro no mesmo dia

Apoiadores do presidente entraram em confronto com grupos contrários ao governo, na Avenida Paulista, no domingo. (Foto: Nelson Almeida / AFP via Getty Images)

O governo de São Paulo vai proibir que manifestações a favor e contra o governo do presidente Jair Bolsonaro aconteçam no mesmo dia, horário e local. O anúncio feito pelo governador João Doria (PSDB) nesta segunda-feira (1º) acontece no dia seguinte ao encontro de grupos pró e contra Bolsonaro na Avenida Paulista, no domingo (31), que resultou em um confronto do grupo pró-democracia com a PM (Polícia Militar).

Doria abriu a coletiva afirmando que a decisão foi tomada em conjunto com o prefeito Bruno Covas (PSDB) no intuito de permitir que os dois lados se manifestem e, ao mesmo tempo, evitar um embate entre as partes.

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“Sobre os acontecimentos na avenida Paulista, no domingo, o governo de São Paulo não cerceará nenhum direito à manifestação, seja de quem for ou para qual lado estiver fazendo seu protesto. O governo garantiu e garantirá direito de manifestação a quem quer que seja, todos têm direito de se manifestar, mas ninguém tem direito à agredir. Por isso, em acordo com a prefeitura de São Paulo, a partir de agora não teremos mais duas manifestações no mesmo local, no mesmo horário e no mesmo dia”, disse Doria, no Palácio dos Bandeirantes.

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No domingo, torcidas organizadas de diversos times de futebol em São Paulo e no Rio de Janeiro convocaram manifestações pró-democracia. Os grupos tomaram a frente da mobilização democrática contra o fascismo e entoaram gritos na Avenida Paulista, em São Paulo, e na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

No mesmo horário, bolsonaristas participavam de atos com bandeiras do Brasil, além de outras, como a da Ucrânia, e símbolos americanos. Seguravam também cartazes contra o Supremo Tribunal Federal. Em São Paulo, houve desentendimento com grupo de apoiadores do presidente e, em seguida, bombas por parte da PM.

O governador fez questão de elogiar a postura da Polícia Militar e ressaltou que as manifestações poderão ocorrer aos finais de semana e inclusive no mesmo local, mas em dias distintos.

“Graças à intervenção da Polícia Militar evitamos uma situação de confronto que poderia trazer resultados gravíssimos, de pessoas feridas de parte a parte. Por isso, a decisão de orientar os grupos pró-governo Bolsonaro e os grupos pró-democracia para que utilizem dias distintos para suas manifestações. E façam com liberdade plena e acompanhamento e proteção da PM. A orientação é para que possam fazê-los aos finais de semana, repito, em dias distintos e jamais no mesmo dia, mesmo horário. O local poderá ser o mesmo, porém em dias diferentes”, completou Doria.

‘CONFRONTO JUSTIFICA DISCURSO AUTORITÁRIO’

Sem citar o nome de Bolsonaro, Doria afirmou que o confronto - como o registrado na Avenida Paulista durante as manifestações - apenas enfraquece a democracia e justifica o “discurso autoritário” de quem quer “retomar a ditadura no Brasil”.

“Tudo o que não precisamos nesse momento é de confronto, o confronto não fortalece a democracia. Ao contrário, enfraquece. E justifica, lamentavelmente, o discurso autoritário daqueles que pretendem retomar a ditadura no Brasil e desejariam justificar, por confrontos públicos em ruas, praças e avenidas, a necessidade de intervenção militar. A resposta de São Paulo é: não, aqui não. Por isso, a instrução de manifestações em dias distintos”.