Governo deixou de pedir ajuda a autoridades peruanas nas buscas por desaparecidos na Amazônia

Apesar de a região do Vale do Javari ser rota de narcotraficantes peruanos e de a área onde desapareceram o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips fazer fronteira com o Peru, o governo brasileiro não pediu ajuda ao país vizinho durante as buscas.

A informação consta de um ofício do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) enviado nesta quarta-feira pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal.

Nele, o gabinete detalha a ata de uma reunião sobre o cumprimento de determinação do STF para o atendimento de saúde a povos indígenas entre representantes do GSI, Ministério Público Federal (MPF), Fundação Nacional do Índio (Funai), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Ministério das Relações Exteriores, Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (SESAI), Ministério da Defesa, Ministério da Justiça, Defensoria Pública da União (DPU) e AGU.

Durante o encontro, um representante da Apib indagou se havia “alguma ação efetiva junto ao governo peruano” para apoiar as buscas pelos desaparecidos. A assessora do departamento de Direitos Humanos e Cidadania do Ministério das Relações Exteriores, Adriana Martins, respondeu que nenhum contato com as autoridades do Peru havia sido feito até aquela data, 10 de junho, cinco dias depois do desaparecimento da dupla no rio Itaquaí.

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No mesmo dia, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) enviou um e-mail ao embaixador do Peru em Brasília, Rómulo Acurio, que respondeu em poucas horas manifestando “sua inquietação com o desaparecimento” e expressando “interesse no acompanhamento dos fatos divulgados pela mídia nacional e internacional”.

Depois do pedido feito pela Univaja, organização para a qual Pereira prestava consultoria ao desaparecer, o embaixador do Peru pediu às autoridades peruanas que cooperassem com as buscas.

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