Governo denuncia tentativa de invasão a telefones de Bolsonaro

(Jul 2019) O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília

Os telefones celulares do presidente Jair Bolsonaro foram alvo de tentativas de invasão por parte de hackers, assim como vários membros do governo, informou nesta quinta-feira o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O ministério foi "informado pela Polícia Federal de que os telefones celulares usados pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, foram alvos de ataques pelo grupo de hackers preso na última terça feira (23). Por questão de segurança nacional, o fato foi devidamente comunicado ao Presidente da República", afirma a pasta em um comunicado.

O comunicado não deixa claro se os hackers conseguiram entrar nos dispositivos do chefe de Estado.

Bolsonaro disse que esse risco não o preocupa.

"Eu achar que meu telefone não estava sendo monitorado por alguém seria muita infantilidade. (...) Sempre tomei cuidado nas informações estratégicas, essas não são passadas via telefone. Então, não estou nem um pouco preocupado se porventura algo vazar aqui no meu telefone. Não vão encontrar nada que comprometa", declarou Bolsonaro aos jornalistas em Manaus.

Quatro pessoas foram presas na terça-feira no estado de São Paulo, acusadas de participar de ataques a telefones por autoridades políticas e judiciais, incluindo o ministro da Justiça, Sergio Moro, e promotores envolvidos na Lava Jato.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também está entre as vítimas de ciberataques.

Moro felicitou os agentes que realizaram a operação e disse que "pessoas com antecedentes criminais, envolvidas em várias espécies de crimes (são) a fonte de confiança daqueles que divulgaram as supostas mensagens obtidas criminalmente", afirmou, em alusão ao vazamento de mensagens realizado pelo site The Intercept Brasil desde junho.

O portal, cofundado pelo jornalista americano Glenn Greenwald, não revelou a identidade de sua fonte nem o modo como os telefones foram hackeados.

"A tentativa de ligar supostos hackers ao nosso trabalho é mais um entre tantos ataques desde que começamos a publicar a série 'As mensagens secretas da Lava Jato'", indica uma nota do Intercept Brasil.

Esses diálogos colocaram Moro em uma posição defensiva, já que era o principal juiz da operação Lava Jato, que desde 2014 levou dezenas de políticos e empresários proeminentes para a prisão.

As mensagens foram apresentadas pelo portal como evidência da conivência de instâncias judiciais para impedir que o PT de Luiz Inácio Lula da Silva vencesse as eleições presidenciais de 2018, nas quais Bolsonaro foi eleito.