Governo desiste de nomear capitão da PM para Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura

RIO — O capitão da Polícia Militar da Bahia André Porciuncula Alay Esteves, que no mês passado foi nomeado secretário nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, deixou o cargo antes mesmo de assumir. A nomeação foi tornada sem efeito por uma portaria assinada pelo ministro chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial. A pasta é um braço da Secretaria Especial da Cultura, chefiada por Mario Frias.

Apesar de Porciuncula, oficialmente, ter passado um mês no cargo, todos os atos administrativos publicados pela pasta durante esse período foram assinados pelo secretário substituto, o servidor de carreira Homero Gustavo Reginaldo Lima. Ainda não se sabe quem entrará no lugar do capitão.

Nascido em Salvador, em 1985, André Porciuncula entrou para a Polícia Militar em 2005. Quatro anos depois, foi promovido a tenente, chegando à patente de capitão em 2014.

Em seu perfil no Facebook, o policial se mostra um crítico voraz às medidas de isolamento social no combate à pandemia. "Lockdown é uma neurose de um monomaníaco", escreveu em uma postagem, exemplo de uma série de publicações que destacam um suposto cerceamento de liberdade exercido pelo Estado por meio da quarentena.

Nas redes, Porciuncula também costuma fazer inúmeras citações bíblicas, além de menções a Olavo de Carvalho e elogios à proposta de Bolsonaro armar a população. "Como não gostar desse cara", escreveu em uma postagem sobre a intenção do presidente importar armas para uso individual sem imposto.

Até a publicação desta reportagem, nem o Ministério do Turismo, nem a Casa Civil haviam explicado o motivo de a nomeação ter sido revogada.