Governo dispensa mais 11 militares que atuavam na presidência da República

O governo dispensou nesta quarta-feira mais 11 militares que atuavam em órgãos vinculados à presidência da República. A nova leva de exonerações atinge nove servidores que serviam à vice-presidência e dois do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

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As movimentações ocorrem no momento em que o Palácio do Planalto ainda trabalha para pacificar a relação com as Forças Armadas. No sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu a troca no comando do Exército: o general Julio Cesar de Arruda foi substituído pelo general Tomás Miguel Ribeiro de Paiva.

Dentre as dispensas na vice-presidência há o chefe de Ajudância de Ordens, o Major do Exército Victor Almeida Pontes. Os demais ocupavam cargos na assessoria militar, no Departamento de Administração e Finanças, na Ajudância de Ordens e na Diretoria de Administração. No GSI, juntamente com as duas exonerações, foram publicadas no Diário Oficial as nomeações de quatro representantes das Forças.

Nesta terça-feira, o governo trocou o número 2 do GSI. Trata-se do general Carlos José Russo Assumpção Penteado, que era secretário executivo do órgão desde julho de 2021. Ele foi nomeado durante a gestão do ministro Augusto Heleno, titular do GSI ao longo do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em seu lugar, entra o general Ricardo José Nigri.

Foram nomeados ainda o general Marcius Cardoso Netto para exercer o cargo de Secretário de Segurança e Coordenação Presidencial e o general Carlos Feitosa Rodrigues para o cargo de Chefe da Assessoria de Planejamento e Gestão do Departamento-Geral do Pessoal.

Em mais de uma ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou “gente das Forças Armadas” de ter sido conivente com a invasão do Palácio do Planalto e afirmou estar convencido de que as portas da sede do Executivo foram literalmente abertas para os golpistas. Ele disse ainda que não pode ficar "nenhum suspeito de ser bolsonarista raiz" no Palácio.

Teve muita gente conivente. Teve muita gente da PM conivente. Muita gente das Forças Armadas aqui dentro conivente. Eu estou convencido que a porta do Palácio do Planalto foi aberta para essa gente entrar porque não tem porta quebrada. Ou seja, alguém facilitou a entrada deles aqui — disse Lula, durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, na quinta-feira.

No sábado, depois de Lula determinar a demissão do comandante do Exército, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, justificou a troca no comando alegando que houve "fratura de confiança" na relação com o Exército.

Como o GLOBO mostrou, Lula quis demitir o general devido ao comportamento do militar em relação aos acampamentos golpistas diante do Quartel General do Exército, em Brasília. O presidente já havia criticado o que chamou de conivência do Exército com os terroristas que invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo integrantes do governo, Arruda teria sido resistente à tentativa de pacificação da relação entre o presidente e o Exército.