Governo diz que vermífugo reduziu carga viral da Covid-19 em estudo clínico

Por Maria Carolina Marcello e Ricardo Brito
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Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during an event to announce the clinical study of the use of Nitazoxanide in an early treatment against COVID-19, at Planalto Palace in Brasilia, on October 19, 2020. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during an event to announce the clinical study of the use of Nitazoxanide in an early treatment against COVID-19, at Planalto Palace in Brasilia, on October 19, 2020. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Por Maria Carolina Marcello e Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal afirmou nesta segunda-feira que um estudo clínico conduzido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação constatou que um vermífugo muito popular no país reduziu a carga viral da Covid-19, embora não tenha divulgado publicamente dados detalhados que respaldassem a afirmação.

Em evento realizado no Palácio do Planalto, que contou com a participação do presidente Jair Bolsonaro, o governo defendeu o uso da nitazoxanida como eficaz no tratamento precoce do Covid-19.

A doutora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Patrícia Rocco, responsável pelo estudo, disse que a nitazoxanida permitiu a redução da carga viral da Covid-19, e destacou também que a dosagem não gerou reações adversas graves em estudo duplo cego e randomizado.

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Segundo a pesquisadora, um grupo de voluntários tomou uma dosagem da medicação três vezes ao dia e outro grupo um placebo por cinco dias.

"Constatamos que a nitazoxanida, em comparação ao placebo, acarretou ao final da terapia redução significativa da carga viral”, disse.

“Infelizmente, neste momento, não poderei relatar mais detalhes sobre o estudo, já que ele foi submetido a uma revista internacional e isso faria com que perdêssemos o ineditismo, limitando a publicação”, ressalvou.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, destacou o que seriam as vantagens do medicamento. "Ele é de baixo custo, ele não tem efeitos colaterais sérios, ou seja, pode ser usado com segurança. Ele não pode ser usado para fazer prevenção, ele não é profilático, é só depois da detecção do vírus”, disse.

As pesquisas do governo com o medicamento foi iniciada em abril, depois que testes em laboratório teriam revelado eficácia de 94% contra o novo coronavírus. Testes clínicos começaram a ser feitos em paciente hospitalizados, inicialmente em casos mais avançados da doença e posteriormente em pacientes que estavam no início da infecção.