Governo dos EUA quer sinal do Brasil no combate ao desmatamento ilegal

Leandro Prazeres
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BRASÍLIA – O governo dos Estados Unidos quer um sinal concreto do comprometimento do governo brasileiro no combate à redução do desmatamento ilegal ainda neste ano. Segundo um oficial do Departamento de Estado dos EUA, esta manifestação teria que acontecer "o mais rápido possível".

Desde a posse do presidente Joe Biden, a política americana em relação ao meio ambiente mudou drasticamente. Os americanos anunciaram o seu retorno ao Acordo de Paris e, no que toca ao Brasil, passaram a intensificar as conversas relativas à preservação da Amazônia. A mudança já havia sido anunciada durante a campanha de Biden à presidência.

Segundo um oficial do Departamento de Estado, os dois países têm mantidos conversas e os americanos atuam para convencer o Brasil a adotar metas mais ambiciosas em relação à meta de zerar as suas emissões de carbono. Uma das maiores preocupações dos Estados Unidos, no entanto, é a redução do ritmo de destruição da Floresta Amazônica.

Ele mencionou que, apesar dos esforços realizados nos últimos dois anos por militares das operações Verde Brasil I e II, o país não conseguiu diminuir as taxas de desmatamento na Amazônia. Ele disse ainda que os Estados Unidos acreditam que as ações do Brasil para conter o avanço do desmatamento ilegal na região deve incluir não apenas o governo federal, mas governos locais e populações indígenas.

O oficial disse que, no momento, não são discutidas sanções caso o Brasil não demonstrasse empenho na redução do desmatamento ilegal, mas afirmou que o país poderia ser prejudicado comercialmente porque cada vez mais nações estão adotando legislações para restringir o comércio com países pouco comprometidos com a preservação do meio ambiente. A possibilidade de imposição de sanções ao Brasil por conta de sua política ambiental havia sido mencionada por Biden durante um debate em 2020.

O oficial também afirmou que, nos próximos meses, o governo americano poderá lançar um fundo destinado a financiar ações de preservação ao meio ambiente em países como os da Amazônia.

Ele também comentou sobre a proposta feita pelo governo brasileiro de receber US$ 10 bilhões a título de pagamento por serviços ambientais para antecipar sua meta de zerar as emissões de carbono, atualmente estipulada em 2060. Segundo o oficial, antes de a proposta ser aceita, é preciso construir mais “confiança” entre os dois países.

Países como os Estados Unidos e integrantes do continente europeu têm intensificado suas conversas com o Brasil nos últimos meses por conta da proximidade com a Conferência do Clima das Nações Unidas que será realizada em novembro deste ano em Glasgow, no Reino Unido. A meta anunciada pelo governo por conta do Acordo de Paris é zerar suas emissões de carbono até 2060.