Governo e manifestantes tentam aproximação após um mês da crise sangrenta na Colômbia

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O governo de Iván Duque busca neste domingo (30) uma nova aproximação com a frente mais visível dos manifestantes na Colômbia, após um mês da sangrenta crise social e em meio a manifestações de pessoas vestidas de branco, irritadas com os protestos e os bloqueios viários.

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, expressou em Genebra sua "profunda preocupação" com a violência em Cali, onde na sexta-feira 13 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.

Os confrontos, que envolveram manifestantes, policiais e civis armados inclusive com fuzis, levaram o presidente a determinar a mobilização de tropas nesta cidade, a terceira da Colômbia, e em outros pontos do país.

"É essencial que todas as pessoas que supostamente causaram lesões ou morte, incluindo os funcionários do Estado, estejam sujeitas a investigações rápidas, efetivas, independentes, imparciais e transparentes, e que os responsáveis respondam perante a lei", pediu Bachelet.

Um mês depois da convulsão social provocada pela ideia, já descartada pelo governo, de elevar impostos em plena pandemia, o país está rachado, com uma polícia muito criticada pela repressão nas ruas e uma violência crescente nas mãos dos civis.

Neste intervalo de tempo, morreram pelo menos 59 pessoas e mais de 2.300 ficaram feridas, segundo contagem feita a partir do boletim das autoridades civis. A maioria das vítimas fatais é de civis, embora também tenham morrido dois uniformizados.

O governo Duque abriu uma nova rodada de discussões com o Comitê de Paralisação, que reúne sindicatos, estudantes e indígenas. As partes estão reunidas em Bogotá, tentando aproximar posições.

- Repreensões e novas marchas -

Embora esta organização não convoque todos os setores que estão nas ruas, espera-se que um eventual acordo possa começar a desativar a crise.

Em um comunicado, o Comitê da Paralisação voltou a acusar o governo de manter "um silêncio cúmplice com o uso desmedido da força por parte da polícia (...), assim como o ataque de grupos civis que agem ao lado de agentes estatais contra quem exerce o direito ao protesto".

Os manifestantes exigem uma condenação explícita da violência policial, garantias de protesto e um Estado mais solidário frente ao severo impacto econômico da pandemia, que no sábado voltou a bater o recorde de mortes e deixou o sistema de saúde à beira do colapso.

Apesar do grande apoio popular que os protestos atraíram, começa-se a sentir uma irritação com os bloqueios viários que causam desabastecimento ou com o prolongamento das marchas.

Em Bogotá, Medellín e outras cidades, milhares de pessoas foram às ruas neste domingo vestidas de branco e com cartazes pedindo "paz" e "não mais bloqueios" viários.

"Nós hoje saímos para marchar pacificamente para pedir que termine a paralisação e voltemos ao trabalho (...), todo o fechamento de vias e os bloqueios estão afetando a economia nacional e gerando mais pobreza", disse à AFP Bernardo Henao, advogado e pecuarista de 63 anos.

O presidente Duque se concentrou em exigir o fim dos bloqueios viários e ofereceu aos jovens alívio econômico para ter acesso à educação superior pública ou a compra de moradia, embora sem conseguir extinguir o mal-estar social provocado pela repressão.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, organismo da OEA, também condenou a violência no Twitter e instou o Estado "a investigar pronta e diligentemente" as denúncias de ataques de civis contra os manifestantes, "e sancionar os responsáveis".

No âmbito da "assistência militar", que faculta às forças armadas apoiar os trabalhos da polícia, 7.000 soldados foram mobilizados em dez departamentos (estados), onde os manifestantes realizam bloqueios viários.

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