Governo estima que 12 mil idosos em asilos públicos vão ter Covid-19

Médico examina paciente da Covid-19 em hospital privado de São Paulo

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde estima que 11.732 idosos que vivem em instituições públicas de longa permanência, conhecidos como asilos, poderão ser infectados pela Covid-19 ao longo de um ciclo estimado da doença de 120 dias. Do total, cerca de 20% (2.346 pessoas) necessitariam de internação, sendo que metade, ou 1.173 doentes, demandariam leitos de terapia intensiva (UTI) por até 21 dias.

A projeção de atingidos pela doença considera uma taxa de incidência de 15% sobre o total de idosos vivendo em instituições ligadas ao Sistema Único de Assistência Social (Suas) no país: de 78.216. Ou seja, não inclui os moradores com mais de 60 anos de outros arranjos institucionais.

Os dados constam do "Plano de contingência para o cuidado às pessoas idosas institucionalizadas em situação de extrema vulnerabilidade social", feito pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde. O documento traça ações para proteger e minimizar os impactos da doença nessa população.

Segundo o plano, "é essencial perceber que as pessoas idosas institucionalizadas apresentam tanto o risco individual, decorrente da maior agressividade da COVID-19 nesse grupo, quanto a exposição consequente do caráter asilar das ILPI (instituições de longa permanência), nas quais se lidam frequentemente com espaços coletivos, aglomerações no uso de áreas comuns, com possibilidade de contágio de grande número de pessoas".

As medidas propostas devem ser aplicadas, diz o documento, a pessoas idosas integrantes do Cadastro Único da Assistência Social (CADÚnico), beneficiárias do Programa Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que vivem em situação de extrema vulnerabilidade social e econômica.

Entre as medidas propostas, há as de caráter preventivo, como reforçar a vacinação contra a gripe, as medidas de distanciamento social e o acompanhamento de serviços como o TeleSus (que faz mapeamento e acompanhamento a distância de casos suspeitos de Covid-19).

Em casos de suspeita, recomenda-se que o idoso seja removido a algum serviço de referência caso não haja possibilidade de isolamento no asilo. Todos os casos de síndrome gripal em que não for possível garantir o teste devem ser tratados como suspeitos de Covid-19, diz o plano.

O monitoramento deverá continuar mesmo após o idoso com Covid-19 receber alta, segundo orientação da pasta. Os contatos da pessoa que apresentarem sintomas de síndrome gripal deverão ser prioritariamente avaliados como potenciais infectados.