Governo estima que 40% dos profissionais da saúde se afastarão do trabalho durante pandemia do coronavírus

Renata Mariz e André de Souza
Inaldo Sarmento Basílio contraiu o vírus H1N1 na época da pandemia da doença e, agora, atua na linha de frente do combate ao coronavírus

BRASÍLIA — No enfrentamento ao novo coronavírus, o Ministério da Saúde espera que um grande número de profissionais de saúde tenha que se afastar do trabalho por adoecimento. Segundo a pasta, cerca de 40% podem ser afetados, seja em razão do próprio vírus, que pode provocar febre e sintomas respiratórios, seja em decorrência de outras doenças.

Para minimizar o problema, o ministério quer reforçar o atendimento com médicos jovens, que são menos vulneráveis ao novo coronavírus do que os idosos, e pediu até mesmo a ajuda de estudantes de medicina e outros cursos de saúde. A possibilidade de usar médicos aposentados foi afastada justamente em razão da idade. Os idosos são o grupo com maior taxa de letalidade.

O caso de Daniela Bacelar, médica de 47 anos, mostra que a preocupação do Ministério da Saúde tem razão de existir. Ela está aguardando o resultado do teste do novo coronavírus, mas já está afastada do trabalho até saber sua real condição de saúde.

— Medo sempre dá, mas foi o que a gente escolheu fazer. O medo serve para ficar mais atenta, para se proteger. Tomamos cuidado pelas outras pessoas também. Não estou visitando tias, sobrinhos, nada, pois não podemos expor as pessoas.

Ela já teve uma outra doença que também mortes no país: a gripe H1N1. Daniela pegou o vírus em 2017, depois, portanto, da pandemia de 2009. Mas nem por isso a experiência foi menos traumática. Na mesma época, conta ela, um colega de hospital se infectou e acabou morrendo.