Governo exonera chefes de fiscalização do Ibama após operações contra garimpeiros

Leandro Prazeres

BRASÍLIA - O governo exonerou os dois principais responsáveis por operações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) contra garimpeiros e madeireiros ilegais na Amazônia. As baixas acontecem no mesmo mês em que o Ibama fez operações para retirar garimpeiros de terras indígenas.

Renê Luiz de Oliveira era coordenador-geral de fiscalização ambiental. Sua exoneração foi assinada pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Hugo Ferreira Loss era coordenador de operações de fiscalização e sua exoneração foi assinada pelo presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim. Tanto Loss quanto Renê são servidores de carreira do Ibama.

A exoneração dos dois acontece semanas depois de o Ibama realizar uma série de operações em terras indígenas no Pará contra ação de garimpeiros. As operações, que resultaram na destruição de equipamentos usados nos garimpos, foi tema de reportagem do programa Fantástico.

Após as reportagens, Salles exonerou o então diretor de proteção do Ibama Olivaldi Azevedo. Servidores ouvidos na condição de anonimato pela reportagem do GLOBO afirmam que as exonerações de Renê e Loss são uma retaliação ao trabalho de fiscalização contra garimpeiros e madeireiros ilegais na Amazônia.Para o cargo de Loss, foi nomeado um servidor de carreira do Ibama.

Para o lugar de Renê, foi nomeado o coronel da PM de São Paulo Walter Mendes Magalhães Júnior, que estava na superintendência do Ibama no Pará.

A reportagem enviou questionamentos ao Ibama e ao Ministério do Meio Ambiente sobre as motivações para a exoneração de Renê e Loss, mas até o fechamento desta matéria, nenhuma resposta havia sido dada.