Governo e Farc traçam plano conjunto para agilizar implementação da paz

Bogotá, 26 mar (EFE).- O governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram neste domingo na cidade de Cartagena uma estratégia baseada em seis pontos para agilizar a implementação do acordo de paz assinado em 24 de novembro do ano passado.

A determinação foi anunciada em comunicado conjunto do governo e das Farc depois de dois dias de reuniões a portas fechadas da Comissão de Acompanhamento, Impulso e Verificação à Implementação (Csivi) do acordo de paz, da qual fizeram parte altos funcionários e chefes da guerrilha.

Antes do comunicado, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, informou em sua conta no Twitter que na reunião "foram revisados os avanços no calendário de desarmamento, ZVTN (zonas de vereda transitórias de normalização), reincorporação e assuntos normativos".

Segundo o comunicado, depois do trabalho realizado, foram identificadas as dificuldades e foi decidido travar no desenvolvimento legislativo, garantias de segurança, trânsito à legalidade, zonas de vereda transitórias de normalização, reincorporação e o cronograma do abandono de armas.

Com relação ao desenvolvimento legislativo, foi estabelecido que em abril o governo apresentará ao Congresso um pacote de projetos de reforma constitucional e de lei para desenvolver o tema de terras, a criação da Comissão da Verdade e da Unidade de Busca de Pessoas Desaparecidas.

No que diz respeito às garantias de segurança, será desenvolvido e iniciado "o Pacto Político Nacional", que procura "garantir o efetivo compromisso de todos os colombianos para que nunca mais se utilizem as armas para fazer política".

Do outro lado, as Farc completarão "nos próximos dias" as listas de seus homens, que devem incluir os milicianos, enquanto o governo se comprometeu a dar "apoio necessário às instâncias competentes encarregadas do trâmite de anistias a fim de agilizá-las".

O Executivo também se comprometeu a que, em abril, entregará "em sua totalidade" a infraestrutura das zonas de vereda criadas para abrigar cerca de 7.000 guerrilheiros que devem ser dotadas de ambulâncias e pessoal médico.

Para o relacionado com a reincorporação, foram revisados os programas educativos do governo para os guerrilheiros "a fim de brindar segurança socioeconômica, uma vez que termine seu trânsito à legalidade".

Como parte do compromisso para acelerar o desarmamento, foi definido que se continuará com o abandono das armas dos membros das Farc que fazem parte do Mecanismo de Monitoração e Verificação, e dos que participam da retirada de minas humanitária e em substituição voluntária de cultivos ilícitos.

"O governo nacional e as Farc-EP seguirão trabalhando para cumprir os compromissos contemplados no Acordo Final que nos levará a construir a paz estável e duradoura para benefício de todas e todos os colombianos", finaliza o documento. EFE