Computadores do governo sofreram mais de um ataque hacker por hora

(Foto: Getty Images)

Dados do GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência) apontam que órgãos do governo federal detectaram 20,5 mil notificações de ataques contra computadores ou redes do Executivo federal, somente em 2018. Dessas notificações, 9,9 mil foram confirmadas, o que dá uma média de mais de uma notificação por hora no ano.

As informações são do jornal O Globo.

A preocupação com a fragilidade da segurança e defesa cibernética voltou a ser pauta após o vazamento de mensagens entre o atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e procuradores da operação Lava Jato, quando Moro era juiz federal e responsável pelos vereditos dos investigados pelo MPF (Ministério Público Federal do Paraná).

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Desde 2014, o número de notificações confirmadas pelo GSI não fica abaixo de 9 mil.

No levantamento do GSI, o caso mais comum — 26% do total — é a adulteração de sites públicos por hackers, com destaque para a desfiguração de portais. O segundo tipo de crime mais frequente são vazamentos de dados, com 20%. Fraudes aparecem atrás com 16%, enquanto a indisponibilidade de sites é 14%.

De acordo com o último estudo do GSI, entre os estados com o maior número de notificações de ataques a órgãos da administração federal estão São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Ceará — o Rio aparece em 17º lugar.

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e as Forças Armadas são responsáveis pela segurança e defesa cibernética do País. Apesar das três instruções normativas e 22 normas complementares para orientar os servidores, eles são considerados o elo mais fraco dessa corrente de segurança.

Segundo o GSI, é responsabilidade de cada órgão requerer de seus funcionários o cumprimento dessas normas. No entanto, “não há punições aos gestores” que não seguem os protocolos de segurança.

ENTENDA O CASO

Mensagens divulgadas no domingo (9) pelo site The Intercept Brasil mostram que Moro e Deltan trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da Lava Jato.

Segundo as mensagens, Moro sugeriu ao Ministério Público Federal trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial.

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O pacote de diálogos que veio à tona inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram de 2015 a 2018.

Para advogados e professores, a maneira como inicialmente o atual ministro da Justiça e o procurador reagiram à divulgação das conversas, sem contestar o teor das afirmações e defendendo o comportamento adotado na época, aponta que o conteúdo é fidedigno e que ele pode servir de base para reverter decisões da Lava Jato, por exemplo, contra o ex-presidente Lula.

Por esse raciocínio, o fato de o material ter sido provavelmente obtido por meio de um crime faz com que ele não tenha como ser utilizado para acusar um suspeito, mas possa servir para absolver um acusado.

Em um segundo momento, tanto Moro como Deltan passaram não apenas a atacar o crime do vazamento como também colocar em dúvida a integralidade das mensagens divulgadas, ao não afastar a possibilidade de distorções.

Segundo a legislação, é papel do juiz se manter imparcial diante da acusação e da defesa. Juízes que estão de alguma forma comprometidos com uma das partes devem se considerar suspeitos e, portanto, impedidos de julgar a ação. Quando isso acontece, o caso é enviado para outro magistrado.