Governo Federal tenta debelar crise com caminhoneiros em meio ao coronavírus

Thiago Herdy
Rodovia: motoristas reclamam de falta de infraestrutura para trabalhar

SÃO PAULO — O governo federal corre contra o tempo para evitar uma nova crise com caminhoneiros, que têm relatado dificuldades para garantir o abastecimento em tempo de crise do coronavírus no país. Entre os problemas citados estão a falta de ação preventiva a contágio com foco nos motoristas, ameaça de fechamento de trechos de estradas pelo país e dificuldade de acesso a serviços como comércio de combustíveis, restaurantes e manutenção de veículos na beira do asfalto.

Governadores têm editado decretos que determinam o fechamento de todo tipo de comércio considerado não essenciais. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, busca convencer os estados a reverem termos de decretos que proíbem o funcionamento de restaurantes, para pelo menos garantir alimentação aos caminhoneiros que precisam continuar rodando.

— Se não correrem com as medidas, vai virar um caos. Já tem muito caminhoneiro indo pra casa, deixando o serviço, para ficar em casa com a família — contou o líder dos caminhoneiros Wanderlei Alves, o Dedeco, um dos que estiveram à frente dos protestos que pararam o país em 2018.

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Nos grupos de WhatsApp de motoristas, aparecem relatos de profissionais que não conseguem almoçar ou jantar na estrada, e também casos de cidadãos impedindo a entrada de motoristas em cidades pequenas, pelo risco de contágio pela doença.

— O governo tem dito que vai pedir para reabrirem o comércio, mas agora que já fechou, de que adianta? O dono do restaurante já dispensou os funcionários, se refugiou na roça. É uma situação bem complicada — disse Daniel Reis Paula, o Queixada, também líder dos caminhoneiros.

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— A gente tem orientado os caminhoneiros a adotarem medidas preventivas, mas há muita gente preocupada porque há trechos sem restaurante — completou o presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros, Jaime Ferreira dos Santos.

Ainda que restaurantes não possam ficar abertos, os caminhoneiros sugerem que pelo menos sejam mantidos serviços de entrega de marmita e café no pátio dos postos de gasolina, para garantir o básico aos responsáveis pelo abastecimento do país.

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O governo tem conversado com as concessionárias de pedágio, para que distribuam kits de proteção e prevenção aos motoristas. Há também demanda para que montem uma rede de apoio nas bases de cobrança, para distribuição de álcool gel e disponibilização de espaço para higienização.

Nos últimos dias, o ministro Tarcísio tem tomado a inciativa de ligar diretamente para as lideranças de caminhoneiros. No domingo, o governo já havia suspenso os postos de pesagem nas rodovias federais, para evitar retenções e contato entre profissionais.

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Para sensibilizar motoristas e apontar a disposição do governo em atendê-los, até mesmo o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, cuja pasta não tem relação com a temática das estradas, foi envolvido na iniciativa.

No fim de semana, ele tuitou: “voluntarismo sem racionalidade e coordenação coloca o país em risco. Caminhoneiros precisam de serviços de suporte abertos na estrada, como borracharias e restaurantes. Alguns decretos estaduais devem ser revistos com urgência”, escreveu.

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