Governo gastará R$ 15 bilhões em três meses com benefício a informais

Marcello Corrêa e Leandro Prazeres
Segundo analistas, o cadastro que reúne beneficiários do Bolsa Família é a maneira mais rápida de fazer dinheiro chegar a quem mais precisa

BRASÍLIA — O governo gastará R$ 15 bilhões nos próximos três meses para distribuir vouchers para trabalhadores informais de baixa renda, com objetivo de combater a crise do coronavírus. A informação foi confirmada nesta quarta-feira pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, durante entrevista à imprensa no Palácio do Planalto.

Guedes explicou que a medida é uma forma de proteger trabalhadores sem carteira, que não foram contempladas pela primeira rodada de medidas para conter os efeitos da crise do coronavírus sobre a atividade econômica.

O ministro anunciou R$ 147,3 bilhões em ações, voltadas principalmente para trabalhadores formais, aposentados e empresas.

— Uma grande preocupação que o presidente sempre teve é o mercado informal. São 38 milhões de brasileiros que estão nas praias vendendo mate, vendendo cocada pela rua, entregando coisas, os flanelinhas. Todo esse pessoal dos autônomos. De repente quando a economia para e as pessoas ficam em casa, não é só o restaurante — afirmou Guedes.

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Minutos antes da entrevista, o EXTRA  publicou que o valor do voucher para esses trabalhadores seria próximo ao pago a beneficiários do Bolsa Família.

Hoje, o programa voltado a famílias pobres distribui, em média, R$ 190,70 a cada uma das 13 milhões de famílias inscritas, segundo dados do Ministério da Cidadania. Os detalhes do programa ainda estão sendo desenhados.

De acordo com fontes da equipe econômica, haverá um desenho para que o novo benefício seja voltado apenas a pessoas de baixa renda.

O ministro participa de uma coletiva de imprensa convocada pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (dia 18). Além de Guedes, participam outros oito ministros, inclusive o da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o da Justiça, Sérgio Moro.

O gasto extra prometido por Guedes será possível por causa da flexibilização das regras fiscais previstas pela decretação de calamidade pública.

O pedido ao Congresso desobriga o governo a cumprir as metas fiscais. O ministro afirmou que, se a medida não fosse tomada, seria preciso bloquear R$ 40 bilhões do Orçamento.

A expectativa, segundo essa fonte, é que o pagamento seja feito durante três meses. Esse é o período planejado para quase todas as medidas emergenciais anunciadas até agora pela equipe econômica, por ser justamente a estimativa para o período crítico de propagação da Covid-19, com base no que ocorreu na China.

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