Governo inaugurou estação na Antártica sem limpar área contaminada por incêndio da antiga base

Renato Grandelle
Nova estação foi construída em uma estrutura elevada; abaixo dela estão resquícios de óleo, contaminantes do solo, do incêncio que destruiu a antiga base

RIO — Debaixo da nova Estação Comandante Ferraz há uma perigosa lembrança do incêndio que destruiu, oito anos atrás, a antiga base científica brasileira na Antártica. Uma série de análises realizadas desde então a pedido do Ibama mostrou que sob a construção inaugurada esta semana há cerca de 7 mil metros cúbicos — volume equivalente a três piscinas — de sedimentos contaminados. As substâncias estão dispersas em uma área de 8 mil m², e são encontradas na superfície ou a até três metros de profundidade.

Amostras de compostos orgânicos presentes no óleo diesel, principal responsável pela contaminação do solo, foram coletados por técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) entre 2012 e 2019. O órgão entregou sua investigação para o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente, que deveriam elaborar um plano para remover todas as substâncias poluentes da região.

Até agora, porém, o governo federal não sabe que método deve adotar para fazer este trabalho sem afetar o frágil ecossistema da Antártica.