Governo informa à CPI da Covid que passeios de Bolsonaro pelo DF não fazem parte da agenda oficial

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RIO — A Presidência da República informou em ofício ao presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), que os passeios de Jair Bolsonaro pelo comércio e residências de Brasília e entorno no Distrito Federal não fazem parte de sua agenda oficial. A resposta atende a um requerimento aprovado pela comissão que solicitava informações sobre datas, locais e autoridades envolvidas nas saídas do presidente.

“Registro que,em pesquisas realizadas nos arquivos deste Gabinete Pessoal, não foram identificados registros oficiais de deslocamentos do Senhor Presidente da República a comércio de Brasília ou ao entorno do Distrito Federal, no período indicado. Outrossim, informo a Vossa Excelência que eventuais deslocamentos do Senhor Presidente da República, no período indicado, realizados em caráter privado não fazem parte de sua agenda oficial”, diz o documento assinado por Célio Faria Júnior, chefe do gabinete pessoal do presidente.

A resposta atende ao requerimento do governista Eduardo Girão (Podemos-CE), aprovado no dia 29 de abril, em que eram solicitados os dados sobre passeios de Bolsonaro desde março de 2020. Isso porque o chefe do Executivo fez passeios rotineiros aos finais de semana, no qual andou sem máscara, entrou na casa de moradores e provocou aglomerações, desrespeitando recomendações do Ministério da Saúde.

Em discurso no início de maio, Jair Bolsonaro reclamou do requerimento e disse que "não interessa" para a CPI da Covid saber quais deslocamentos ele fez pelo Distrito Federal durante a pandemia e que a comissão deveria convidar especialistas que defendem o "tratamento precoce" contra a Covid-19.

— Eu sempre estive no meio do povo, estarei sempre no meio do povo. Recebo agora documentos da CPI, para eu dizer onde estava nos meus últimos fins de semana. Não interessa onde eu estava. Respeito a CPI. Estive no meio do povo, tem que dar exemplo. É fácil para mim ficar dentro do Palácio da Alvorada, tem tudo lá. Segundo a mídia, até 2 milhões de latas de leite condensado. E não posso ficar sem ouvir o povo, não tomar conhecimento do que ele sente, do que eles querem — justificou Bolsonaro.

No último dia 9, domingo de Dia das Mães, o presidente fez um passeio de moto por mais de uma hora e causou aglomerações ao cumprimentar apoiadores quando voltava ao Palácio da Alvorada. Sem usar máscara de proteção, Bolsonaro também disse que o passeio de moto deverá se repetir em outras em outras cidades, e citou São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Segundo o presidente, o ato foi uma demonstração de amor à pátria.